OPaís
Ouça Rádio+
Ter, 10 Mar 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

O uso do calão não implica necessariamente uma marginalização da língua

Jornal Opais por Jornal Opais
24 de Março, 2025
Em Opinião

Numa agradável tarde de Fevereiro, após o solo luandense ter sido agraciado com a visita da chuva, decidi aproveitar as últimas horas do dia assistindo à televisão.

Poderão também interessar-lhe...

Água chela ganha publicidade gratuita da Presidência da República

CARTA DO LEITOR: Acidentes nas estradas

É de hoje… As ‘manchas negras’ da Saúde

No entanto, pouco tempo depois, aquela tarde, que parecia ser promissora, transformou-se em uma tarde insípida e sem graça, quando um jurista, cujo nome prefiro omitir por questões éticas, afirmou, de forma categórica, que “era proibido e errado um estudante de Língua Portuguesa ou áreas afins utilizar o calão”. Vale destacar que tal afirmação foi feita em um programa de uma televisão pública.

O tema em discussão era voltado à Sociolinguística. Ora bem, o facto de um estudante de Língua Portuguesa ou áreas afins recorrer, numa determinada situação, ao calão para expressar as suas ideias, pensamentos e sentimentos não significa que ele esteja a violar o código linguístico, ou melhor, o uso do calão não se configura, necessariamente, como afastamento, marginalização ou transgressão da Língua Portuguesa.

E isto não se aplica apenas às pessoas estudadas ou letradas, mas, sim, a todos os usuários ou falantes dela. Todo o falante do Português é livre de se servir de qualquer variedade presente neste idioma (incluindo o calão, só para reforçar), desde que a situação ou contexto comunicativo se justifique.

Dito de outro modo, toda vez que quisermos ser facilmente percebidos, devemos fazer a gentileza de adequarmos a língua à situação de comunicação em que nos encontramos, à relação que temos com os nossos interlocutores e, claro, ao assunto tratado, uma vez que a variante padrão ou norma-padrão não é capaz de responder, com eficácia e eficiência, a todas situações de comunicação apresentadas na Língua Portuguesa, a julgar-se pelas variações a que as línguas naturais estão submetidas, com maior realce a variações diastráticas (socioculturais) e diafásicas (níveis de língua).

Por isso, se estivermos em contextos mais informais, como em conversas descontraídas com amigos ou indivíduos que fazem parte do nosso círculo social, podemos muito bem nos despir do registo culto (formalismo linguístico) e, consequentemente, servir-nos do calão ou gíria, pois estas modalidades de linguagem podem actuar como uma forma de transmitir afinidade, expressividade e pertencimento a um grupo.

De igual modo, se estivermos inseridos num ambiente mais formal, por exemplo, entrevista de emprego, conferência, sala de aula, redacção de textos académicos ou documentos oficiais, devemos usar a norma-padrão.

Só não devemos nos esquecer de que, à luz da Sociolinguística, nenhuma variedade linguística é superior ou melhor à outra, embora algumas (e seus receptivos utentes) tendem a ser alvos de tratamento discriminado e preconceituoso por parte de certos gramáticos tradicionalistas, como é o caso concreto do calão ou gíria.

No final das contas, todas elas concorrem para um único fim: o de promover fluência, harmonia e unidade na comunicação. Cabe a nós, os falantes, adequarmo-las ao seu real e verdadeiro contexto de uso, promovendo uma linguagem equilibrada, moderada e acessível para todos.

E, já agora, lanço o meu apelo aos directores e gestores de órgãos de informação e comunicação social no sentido de terem uma atenção redobrada na selecção de convidados, isto é, que sejam os estudiosos das ciências das linguagem a abordarem os assuntos linguísticos e sucessivamente.

Afinal, saber nadar ou ter barco não é motivo suficiente para alguém ser considerado como pescador e, curiosamente, seleccionado para falar de pesca.

 

Por: Joaquim Augusto Adolfo 

Jornal Opais

Jornal Opais

Recomendado Para Si

Água chela ganha publicidade gratuita da Presidência da República

por Jornal OPaís
10 de Março, 2026

A publicidade surgiu muito antes dos meios modernos de comunicação social. Na antiguidade, ela era rudimentar e oral, com comerciantes...

Ler maisDetails

CARTA DO LEITOR: Acidentes nas estradas

por Jornal OPaís
10 de Março, 2026

À coordenação do jornal O PAÍS, sauda- ções e votos de óptima Terça-feira! Nos últimos dias, os acidentes de via-...

Ler maisDetails

É de hoje… As ‘manchas negras’ da Saúde

por Dani Costa
10 de Março, 2026

Desde que o Presidente João Lourenço assumiu as rédeas, Angola tem visto crescer as suas infra-estruturas no sector da saúde....

Ler maisDetails

Indústrias alimentares

por Jornal OPaís
10 de Março, 2026

Para manter a estabilidade dos preços na economia nacional, é importante o surgimento de novas indústrias alimentares. Ela é fundamental....

Ler maisDetails

Cantora Nair Nany actua na GalaSolidária “Vozes que Curam”

10 de Março, 2026

Horizonte Njinga Mbande leva peça teatral “A Sogra” no palco do Zap Cinemas

10 de Março, 2026
DR

Vice-Presidente da República recebe em audiência embaixadora dos Países Baixos em Angola

10 de Março, 2026

Presidente da República nomeia novo secretário de Estado para os sectores da Aviação Civil, Marítimo e Portuário

10 de Março, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • OPaís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.