OPaís
Ouça Rádio+
Qua, 7 Jan 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

O uso do calão não implica necessariamente uma marginalização da língua

Jornal Opais por Jornal Opais
24 de Março, 2025
Em Opinião

Numa agradável tarde de Fevereiro, após o solo luandense ter sido agraciado com a visita da chuva, decidi aproveitar as últimas horas do dia assistindo à televisão.

Poderão também interessar-lhe...

Nem todos vão perceber o teu processo

Tudo é temporário na ordem internacional

Carta do leitor: Alves Simões não larga Patrice Beaumelle

No entanto, pouco tempo depois, aquela tarde, que parecia ser promissora, transformou-se em uma tarde insípida e sem graça, quando um jurista, cujo nome prefiro omitir por questões éticas, afirmou, de forma categórica, que “era proibido e errado um estudante de Língua Portuguesa ou áreas afins utilizar o calão”. Vale destacar que tal afirmação foi feita em um programa de uma televisão pública.

O tema em discussão era voltado à Sociolinguística. Ora bem, o facto de um estudante de Língua Portuguesa ou áreas afins recorrer, numa determinada situação, ao calão para expressar as suas ideias, pensamentos e sentimentos não significa que ele esteja a violar o código linguístico, ou melhor, o uso do calão não se configura, necessariamente, como afastamento, marginalização ou transgressão da Língua Portuguesa.

E isto não se aplica apenas às pessoas estudadas ou letradas, mas, sim, a todos os usuários ou falantes dela. Todo o falante do Português é livre de se servir de qualquer variedade presente neste idioma (incluindo o calão, só para reforçar), desde que a situação ou contexto comunicativo se justifique.

Dito de outro modo, toda vez que quisermos ser facilmente percebidos, devemos fazer a gentileza de adequarmos a língua à situação de comunicação em que nos encontramos, à relação que temos com os nossos interlocutores e, claro, ao assunto tratado, uma vez que a variante padrão ou norma-padrão não é capaz de responder, com eficácia e eficiência, a todas situações de comunicação apresentadas na Língua Portuguesa, a julgar-se pelas variações a que as línguas naturais estão submetidas, com maior realce a variações diastráticas (socioculturais) e diafásicas (níveis de língua).

Por isso, se estivermos em contextos mais informais, como em conversas descontraídas com amigos ou indivíduos que fazem parte do nosso círculo social, podemos muito bem nos despir do registo culto (formalismo linguístico) e, consequentemente, servir-nos do calão ou gíria, pois estas modalidades de linguagem podem actuar como uma forma de transmitir afinidade, expressividade e pertencimento a um grupo.

De igual modo, se estivermos inseridos num ambiente mais formal, por exemplo, entrevista de emprego, conferência, sala de aula, redacção de textos académicos ou documentos oficiais, devemos usar a norma-padrão.

Só não devemos nos esquecer de que, à luz da Sociolinguística, nenhuma variedade linguística é superior ou melhor à outra, embora algumas (e seus receptivos utentes) tendem a ser alvos de tratamento discriminado e preconceituoso por parte de certos gramáticos tradicionalistas, como é o caso concreto do calão ou gíria.

No final das contas, todas elas concorrem para um único fim: o de promover fluência, harmonia e unidade na comunicação. Cabe a nós, os falantes, adequarmo-las ao seu real e verdadeiro contexto de uso, promovendo uma linguagem equilibrada, moderada e acessível para todos.

E, já agora, lanço o meu apelo aos directores e gestores de órgãos de informação e comunicação social no sentido de terem uma atenção redobrada na selecção de convidados, isto é, que sejam os estudiosos das ciências das linguagem a abordarem os assuntos linguísticos e sucessivamente.

Afinal, saber nadar ou ter barco não é motivo suficiente para alguém ser considerado como pescador e, curiosamente, seleccionado para falar de pesca.

 

Por: Joaquim Augusto Adolfo 

Jornal Opais

Jornal Opais

Recomendado Para Si

Nem todos vão perceber o teu processo

por Jornal OPaís
7 de Janeiro, 2026

Ao longo da vida, vamos passando por fases. E quase sempre, quando damos um passo em frente, algo à nossa...

Ler maisDetails

Tudo é temporário na ordem internacional

por Jornal OPaís
7 de Janeiro, 2026

Tudo, neste planeta, é temporário; aquilo que se acumula irá terminar, tarde ou cedo, é uma questão de tempo. A...

Ler maisDetails

Carta do leitor: Alves Simões não larga Patrice Beaumelle

por Jornal OPaís
7 de Janeiro, 2026

Saudações, caro coordenador do jornal OPAÍS! É com enorme satisfação que volto a escrever para este espaço que dá aos...

Ler maisDetails

É de hoje…Fracasso de Alves Simões

por Jornal OPaís
7 de Janeiro, 2026

Quase uma semana depois de terem regressado da fracassada missão que foi o Campeonato Africano das Nações (CAN) 2025, a...

Ler maisDetails

Detida mulher em posse de mais de oito gramas de cocaína no Namibe

7 de Janeiro, 2026

DTSER ultrapassa constrangimentos na marcação de exames de condução

7 de Janeiro, 2026

Ministro da Cultura trabalha no Cuanza-Norte

7 de Janeiro, 2026

Braço-direito de Trump reforça “direito dos EUA” de assumir a Gronelândia

7 de Janeiro, 2026
OPais-logo-empty-white

Para Sí

  • Medianova
  • Rádiomais
  • OPaís
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos

Radiomais Luanda

99.1 FM Emissão online

Radiomais Benguela

96.3 FM Emissão online

Radiomais Luanda

89.9 FM Emissão online

Direitos Reservados Socijornal© 2026

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.