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O pseudo-pan-africanismo em Angola – ascensão, devaneios e (possível) declínio

Jornal Opais por Jornal Opais
9 de Janeiro, 2024
Em Opinião

O presente texto tem como escopo abordar acerca de um movimento que tem reascendido em Angola, mormente, em Luanda, nos últimos tempos, e se preocupa com a união dos povos africanos e o resgate da axiologia autenticamente africana, visto que a mesma foi deturpada pelo ocidente através do processo de colonização.

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Na verdade, o panafricanismo é um movimento bem alicerçado em África, herdado de personalidades africanas e afro-americanas do século passado que se dedicavam a estudar o africano/negro em diversos âmbitos para permitir uma maior e melhor inserção deste no teatro mundial, trata-se de filósofos que surgiram em alguns recémEstados de África e de outros que se radicaram na América, é o caso do seu criador William Du Bois, ou ainda de Marcus Garvei, jamaicano.

No caso de África, pode-se falar de Sekou Touré, Jomo Kenyatta, Gamel Abd El Nasser, Leopold Senghor, uma das caras do movimento negritude, ou mesmo Jonas Savimbi. Se formos a citar, ter-se-ia uma lista enorme de filósofos e, certamente, não é esta intenção.

De resto, este movimento além de defender a igualdade das raças, também tornou a luta das independências e a emancipação dos povos africanos como uma das premissas do seu ideal.

Nesta senda, negar-se o valor do mesmo, que se tornou uma ferramenta viável para o alcance da independência e o processo de inserção dos africanos no mundo actual, seria uma posição bastante falaciosa e demonstraria uma ignorância inadimissível dos factos históricos, por isso, nesta reflexão não se quer criticar aquele movimento criado no século XX por Du Bois, mas sim o defendido, por uma classe de (pseudo) intelectuais em Angola, radicado sobretudo em Luanda, que tem ascendido na sociedade angolana e acha-se de verdadeiros guardiães dos valores pan-africanos, entretanto, nalguns (quiçá na maior parte dos) momentos, apresentam-se de forma empírica, sem cientificidade e assaz sensacionalistas.

Decerto que se percebe a intenção destes indivíduos “ estudiosos”, ou pelo menos armados, principalmente a sua preocupação com a memória colectiva africana, pensamos que realmente devemos repensá-la para haver um segmento dos desafios lançados pelo pan-africanismo real, o que precisaríamos da ajuda do Estado para concretizar tais ideais, entretanto estes ditos “afrocratas” não têm encontrado a melhor maneira de o fazer, apresentando estudos com argumentos plenos de equívocos, demonstrando uma necessidade de notabilismo social e o seu africanismo cinge-se apenas no conhecimento da história feita pelos patriarcas do movimento, criticar instituições ocidentais, com anacronismos nos argumentos, e pouco ou nada fazem além disso.

Dizem ser estudiosos da Filosofia Africana, mas reduzem-se a estudar aqueles senhores listados no parágrafo anterior, como se naqueles estivesse toda Filosofia esgotada, o que é claramente uma falácia.

É imperioso perceber que aqueles senhores apenas marcaram o início dos estudos da nossa própria epistemologia, contudo é necessário que este trabalho tenha continuidade, e nós enquanto africanos devemos concretizar tal estudo.

Ademais, um verdadeiro estudioso da cultura de um povo deve ser amigo da língua de tal povo, já dizia Tolkien “ a língua é o sangue de uma cultura”, mas, provavelmente, serei malentendido pelos (pseudo) panafricanistas por citar um autor ocidental, porque num mundo actual caracterizado pela globalização, estão presos no passado e são anti-ocidentais (não é que eu seja pro ocidental e, portanto, concorde com tudo que vem de lá).

Insta salientar que se deve estudar primeiro as nossas línguas, pois, afinal, a tal Filosofia que de tanto falam está imbuída nelas e mais do que começar a plagiar estudos dos idiomas africanos já feitos nos países africanos “anglófonos” e “ francófonos” (não se assustem, também não concordo muito com tal designação), desafiamo-vos a criar círculos de estudo de línguas de Angola, convidando especialistas destas áreas.

Deve-se parar de pensar África sem se refletir primeiro Angola, porque falar-se tanto de África e esquecer-se tanto de Angola, levar-nos-á a discutir no vazio.

E veja-se que só a partir deste pormenor ou se calhar por maior, já se pode verificar que alguns destes senhores que se intitulam de africanólogos, afrocratas e panafricanistas são grandes intrujões e não fazem ciência, caem sempre no sensacionalismo.

Na realidade, estes senhores deviam ganhar tempo em procurar estudar um dos nossos grupos etno-linguístico que possuem uma cultura tão rica que se carece de estudiosos interessados a estudá-las.

Destarte, primeiro Angola e depois África e mesmo em Angola não se tem de ser estudioso de todos os povos angolanos, já que são vários e há em Angola várias Angola(s), deve-se, portanto, identificar-se como estudioso de uma determinada nação.

Já se sabe muito do Egipto ou Kemet, quer-se saber de nós mesmos e nós mesmos também somos africanos.

É importante que se pare de empirismos e de perder tempo nas redes sociais a orientar os angolanos que ser verdadeiramente africano significa ir contra a igreja, a cultura ocidental ou oriental, a criar discursos de ódio nos internautas e evitar estes discursos musculados e pornográficos.

Deve-se despoletar esforço a fundamentar o conceito de angolanidade, a conhecer a nossa própria cultura de acordo a etnia do angolano, visto que a angolanidade também é africanidade e é só sendo autenticamente angolano que se conseguirá ser-se africano.

E se ser angolano não é ser o que temos sido, então ajudemnos com estes estudos a ser verdadeiramente angolanos, porque sou assim verdadeiramente serse-á africano, o silogismo é fácil.

Embora se queira pensar que tem havido um retorno considerável as ideias pan-africanistas por parte de alguns jovens, na hodiernidade angolana, pode-se também, por outro lado, inferir que o movimento poderá facilmente declinar e com a mesma velocidade com que se retoma, uma vez que a falta de sistematização e cientificidade nos estudos feitos, a convicção de que o “ africanismo” constitui uma polarização de “eurocentrismo”, criando uma certa aversão aos ocidentais, construindo um discurso que tem como intento substituir a Europa, que durante muito tempo se entendeu como a raça superior, fundamentada nos paradigmas criados por Kant, Hegel e outros filósofos europeus, levará a descrença de tais ideais.

Repare-se que há nesta perspectiva, uma interpretação fraudulenta do movimento Pan-africanista, porquanto estes não tencionavam tornar a África numa Europa, mas sim levar o mundo a refletir na necessidade haver igualdade de raças e lutar contra a instrumentalização de algumas raças, pois todos enquanto pessoa, possuem dignidade.

Deste modo, (alguns) estes africanólogos hodiernos maculam o verdadeiro fito dos pan-africanistas e se continuarem amiúde a notabilizarem-se desta maneira podem causar um vexame que vai culminar com o declínio deste movimento.

Por fim, este movimento (alguns dos seus representantes) deverá repensar os meios para granjear a atenção dos angolanos, mormente, os mais lúcidos, porquanto, certamente, a acientificidade, empirismos, discursos vazios, plágios textuais, a criação de uma alienação conceitual de autenticidade africana, o uso como subterfúgio dos ideais pan-africanos para polarizar ainda mais o mundo, não é o caminho mais sensato.

A ascensão do movimento é decerto salutar, todavia a imperiosidade de assentar os estudos da filosofia e história africana nos ditames da ciência.

 

Por: Fernando Tchacupomba

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