OPaís
Ouça Rádio+
Qua, 11 Mar 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

O monólogo do morto

Jornal Opais por Jornal Opais
19 de Maio, 2023
Em Opinião

O tumulto da multidão abafava a sua voz. Por mais que gritasse, ninguém o ouvia. Todos gritam, choram, lamentam, amaldiçoam, mas ninguém ouve a voz do morto. O que diz? O que quer dizer? Ninguém se preocupa.

Poderão também interessar-lhe...

Cadáveres éticos em circulação

Gestão orçamental estratégica, do Excel ao planeamento integrado do negócio

Carta do leitor: Moradores do Belo Monte agastados com onda de assaltos

O mais importante é manifestar a dor da perda.

A dor inexplicável, a dor da perda do morto.

Mas… o inédito aconteceu. Ouviu-se a voz do morto. Transitar para outra dimensão, ir descansar, retornar ao pó, juntar-se ao autor da existência, entre outros, são eufemismos que se dão para amenizar o impacto da dor, a dor da morte.

Entretanto, por mais que se tente, o facto trespassa sempre o escudo contra dor.

É uma das duas certezas entre humanos. Mas ninguém está preparado para aceitar a certeza de que está morto. “Estou morto”. Falou o morto.

“Ouçam-me, estou morto”. Entre espantos e perplexidades, os olhares cruzados dos vivos em volta acusavam alucinações. Será que ouviram o mesmo que eu? Como é possível? É azar! É sorte! É dádiva! Não sei.

Mas o morto falou… Falou para mim. Será que falou para mais alguém? A rectidão sempre foi compensada pela humanidade quando a jornada da vida chega ao fim.

Entre cânticos nostálgicos, lamentações, elogios, ritos fúnebres e demais manifestações, são expressas as pautas da conduta de quem parte.

Se parte bem ou parte mal, isso não vem ao acaso, o bem suplanta qualquer mal que tenha feito, até porque “o morto tem sempre razão”.

Vivia-se esse momento. Quem partia deixava um percurso de bons exemplos. Honestidade, bondade, lealdade, coragem, sabedoria, eram apenas algumas das muitas qualidades que se apontavam.

Era exemplo de uma jornada bem vivida. Por isso, a multidão reuniu-se para a última homenagem. Mas o que ninguém esperava era que o morto falaria no seu dia, o dia do seu enterro.

Decorria a última cerimónia.

A cerimónia de despedida. Cantavam hinos, confundidos com choros e lamentações, típicos dessas ocasiões.

Não se continham os mais próximos, que aos prantos descreviam a falta que os faria o ente querido. Se a morte é uma incógnita, a fala do morto não foi.

“Ouçam-me, estou morto. Estou mesmo morto. Mas isso não impede que eu vos fale. É necessário que eu fale e vou dizer. Morri. Morri porque chegou ao fim o tempo da minha jornada terrena.

Cada um de nós tem o seu cronómetro, uns mais longos que os outros. O meu chegou ao fim. Chegou e não posso negar a minha partida. É um imperativo.

Por mais amor que me tenham, devo ir. Por mais que eu deseje ficar, devo partir. Eu vou. Mas convosco deixo o meu testemunho.

O sabor dessa jornada é a bondade. O alicerce da satisfação é a honestidade. E a coroa do existir é o amor ao próximo.

Ademais, qual é o propósito da existência. Se pudessem ouvi-lo, saberiam os vivos o que quis dizer o morto.

A linguagem do silêncio não é perceptível nessa circunstância… Pensava, “afinal estou mesmo morto, ninguém mais me ouve…”. Assim terminou o monólogo do morto.

 

Por: ESTEVÃO CHILALA CASSOMA

Jornal Opais

Jornal Opais

Recomendado Para Si

Cadáveres éticos em circulação

por Jornal OPaís
11 de Março, 2026

Como dizia Fernando Pessoa (1888–1935), “somos cadáveres adiados que pro criam”. A frase lembra-nos que a vida é, em certo...

Ler maisDetails

Gestão orçamental estratégica, do Excel ao planeamento integrado do negócio

por Jornal OPaís
11 de Março, 2026

Em Angola, muitas organizações fecham o orçamento em Excel e, poucos meses depois, já operam com uma realidade diferente. O...

Ler maisDetails

Carta do leitor: Moradores do Belo Monte agastados com onda de assaltos

por Jornal OPaís
11 de Março, 2026
PEDRO NICODEMOS

Ilustre coordenador do jornal OPAÍS, saudações e votos de óptima quarta-feira! O município de Cacuaco, em Luanda, é tão extenso...

Ler maisDetails

É de hoje… Portugal está Seguro!

por Dani Costa
11 de Março, 2026

Portugal já tem um novo Presidente da República. António José Seguro, militante do Partido Socialista, que chegou a dirigir, substitui...

Ler maisDetails

Petro de Luanda promete oferecer aos adeptos cerca de 12 mil pratos de “funge com moamba de galinha rija” antes do jogo diante do Wiliete de Benguela

11 de Março, 2026

Fórum de Revisão do Plano Estratégico da AUSC Região 5 reúne responsáveis desportivos em Maputo

11 de Março, 2026

Putin e Trump realizam conversa telefónica sobre conflitos na Ucrânia e Médio Oriente

11 de Março, 2026

A ARSEG apresenta amanhã relatório de reclamações do sector

11 de Março, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • OPaís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.