OPaís
Ouça Rádio+
Qui, 16 Abr 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

O monólogo do morto

Jornal Opais por Jornal Opais
19 de Maio, 2023
Em Opinião

O tumulto da multidão abafava a sua voz. Por mais que gritasse, ninguém o ouvia. Todos gritam, choram, lamentam, amaldiçoam, mas ninguém ouve a voz do morto. O que diz? O que quer dizer? Ninguém se preocupa.

Poderão também interessar-lhe...

A pertinência das consultas políticas para a diplomacia

Violência doméstica em Angola: o avanço da protecção e o despertar institucional

Dissonância entre o ideal normativo e a praxis escolar: crise de legitimidade pedagógica

O mais importante é manifestar a dor da perda.

A dor inexplicável, a dor da perda do morto.

Mas… o inédito aconteceu. Ouviu-se a voz do morto. Transitar para outra dimensão, ir descansar, retornar ao pó, juntar-se ao autor da existência, entre outros, são eufemismos que se dão para amenizar o impacto da dor, a dor da morte.

Entretanto, por mais que se tente, o facto trespassa sempre o escudo contra dor.

É uma das duas certezas entre humanos. Mas ninguém está preparado para aceitar a certeza de que está morto. “Estou morto”. Falou o morto.

“Ouçam-me, estou morto”. Entre espantos e perplexidades, os olhares cruzados dos vivos em volta acusavam alucinações. Será que ouviram o mesmo que eu? Como é possível? É azar! É sorte! É dádiva! Não sei.

Mas o morto falou… Falou para mim. Será que falou para mais alguém? A rectidão sempre foi compensada pela humanidade quando a jornada da vida chega ao fim.

Entre cânticos nostálgicos, lamentações, elogios, ritos fúnebres e demais manifestações, são expressas as pautas da conduta de quem parte.

Se parte bem ou parte mal, isso não vem ao acaso, o bem suplanta qualquer mal que tenha feito, até porque “o morto tem sempre razão”.

Vivia-se esse momento. Quem partia deixava um percurso de bons exemplos. Honestidade, bondade, lealdade, coragem, sabedoria, eram apenas algumas das muitas qualidades que se apontavam.

Era exemplo de uma jornada bem vivida. Por isso, a multidão reuniu-se para a última homenagem. Mas o que ninguém esperava era que o morto falaria no seu dia, o dia do seu enterro.

Decorria a última cerimónia.

A cerimónia de despedida. Cantavam hinos, confundidos com choros e lamentações, típicos dessas ocasiões.

Não se continham os mais próximos, que aos prantos descreviam a falta que os faria o ente querido. Se a morte é uma incógnita, a fala do morto não foi.

“Ouçam-me, estou morto. Estou mesmo morto. Mas isso não impede que eu vos fale. É necessário que eu fale e vou dizer. Morri. Morri porque chegou ao fim o tempo da minha jornada terrena.

Cada um de nós tem o seu cronómetro, uns mais longos que os outros. O meu chegou ao fim. Chegou e não posso negar a minha partida. É um imperativo.

Por mais amor que me tenham, devo ir. Por mais que eu deseje ficar, devo partir. Eu vou. Mas convosco deixo o meu testemunho.

O sabor dessa jornada é a bondade. O alicerce da satisfação é a honestidade. E a coroa do existir é o amor ao próximo.

Ademais, qual é o propósito da existência. Se pudessem ouvi-lo, saberiam os vivos o que quis dizer o morto.

A linguagem do silêncio não é perceptível nessa circunstância… Pensava, “afinal estou mesmo morto, ninguém mais me ouve…”. Assim terminou o monólogo do morto.

 

Por: ESTEVÃO CHILALA CASSOMA

Jornal Opais

Jornal Opais

Recomendado Para Si

A pertinência das consultas políticas para a diplomacia

por Jornal OPaís
16 de Abril, 2026

Fruto de uma longa convivência com uma diplomata, várias foram as vezes em que a ouvi abordar com alguns colegas...

Ler maisDetails

Violência doméstica em Angola: o avanço da protecção e o despertar institucional

por Jornal OPaís
16 de Abril, 2026

A violência doméstica em Angola continua a ser um desafio social, jurídico e moral de primeira ordem. Contudo, é justo...

Ler maisDetails

Dissonância entre o ideal normativo e a praxis escolar: crise de legitimidade pedagógica

por Jornal OPaís
16 de Abril, 2026

Persiste, no contexto do ensino da língua portuguesa em Angola, um equívoco de natureza epistemológica e operacional: a escola mantém-se...

Ler maisDetails

Carta do leitor: Lixo em alta no Zango 8 Mil

por Jornal OPaís
16 de Abril, 2026
DR

À coordenação do jornal OPAÍS, votos de óptima Quinta-feira! Nos últimos dias, a Centralidade do Zango 8 Mil, na província...

Ler maisDetails

Viagem Apostólica do Papa Lão XIV a Angola

‎Cidadão malauiano detido no AIAAN em posse de mais de 2 kg de silício

16 de Abril, 2026

‎Comandante-geral da Polícia Nacional trabalha na Lunda-Sul

16 de Abril, 2026

Laborinho assegura aposta na agricultura e melhoria da mobilidade entre os municípios do Cuanza-Sul

16 de Abril, 2026

Cidadão detido por tentativa de saída ilegal de mais de 15 mil dólares norte-americanos

16 de Abril, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • OPaís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.