O inimigo de estimação é aquela pessoa, grupo ou instituição que alguns indivíduos escolhem transformar num adversário permanente, não necessariamente por razões objectivas, mas porque a sua existência serve de justificação para frustrações, fracassos ou disputas pessoais.
O inimigo de estimação não é construído apenas pela divergência de ideias ou opiniões, já que o problema surge quando a crítica deixa de ser dirigida às acções e passa a incidir sobre a pessoa, transformando-se numa perseguição permanente.
Neste contexto, pouco importa o que o vi sado faça. Se erra, é condenado; se acerta, os seus méritos são ignorados; se alcança sucesso, os seus resultados são vistos com desconfança e suspeita. Este fenómeno ganhou uma dimensão sem precedentes nas redes sociais, tendo em conta que a velocidade da informação e a procura incessante por aprovação pública criaram um ambiente onde a polarização é frequentemente recompensada.
Muitos utilizadores constroem a sua relevância digital através da crítica permanente a determinadas figuras públicas, tornando-as os seus “Inimigos de Estimação’’. A compaixão, o amor ao próximo, o perdão deixam de existir.
A intriga e a fofoca passam a ser os principais produtos na prateleira. De forma extrema, há quem acompanhe diariamente as publicações de determinadas figuras públicas não para aprender, reflectir ou debater ideias, mas apenas para encontrar motivos que justifiquem ataques e críticas constantes.
Paradoxalmente, essas pessoas acabam por dedicar mais tempo, atenção e energia ao seu “Inimigo’’ do que às causas, valores ou causas que afirmam defender. A obsessão pela crítica torna-se tão intensa que o adversário passa a ocupar um espaço central nas suas preocupações, transformando-se no principal foco das suas acções e discursos.
Na política, os efeitos são ainda mais preocupantes, tendo em conta que, na maioria dos cenários, os adversários políticos são tratados como inimigos absolutos, perdendo-se assim, a capa cidade do diálogo e de construção de consensos. O foco desloca-se dos problemas reais da população para disputas personalizadas que pouco acrescentam à governação ou ao fortalecimento das instituições democráticas.
Todavia, uma franja da classe política procura incutir nos seus militantes a ideia de que todos os problemas do país são da exclusiva responsabilidade do partido que governa, mesmo quando exis tem evidências de boa governação, avanços concretos ou resultados positivos em determinados domínios.
Por: JOÃO MPILAMOSI








