Quase uma semana depois de terem regressado da fracassada missão que foi o Campeonato Africano das Nações (CAN) 2025, a Federação Angolana de Futebol realizou ontem, em Luanda, a sua conferência de imprensa para esclarecer as razões do insucesso na competição.
Na sede da Federação Angolana de Futebol (FAF), para explicarem as razões, estiveram o próprio presidente do organismo, Alves Simões, o vice-presidente para o futebol, Kali, e ainda o técnico principal, Patrice Beaumelle, para muitos um dos responsáveis por esta participação.
Desde o início da conferência, em que para muitos ficou evidente uma certa arrogância da liderança da FAF, pretendia-se saber quais terão sido os motivos que fizeram com que o país só conseguisse dois pontos em 9 possíveis, acabando depois por ainda querer sonhar com uma repescagem de um hipotético melhor quarto terceiro classificado, que é uma vergonha, se comparado com a participação anterior.
Para já, pelas explicações iniciais dadas pelo vice- presidente Kali, ficou por demais evidente que o insucesso nada tem a ver com a criação de condições por parte do Executivo angolano e muito menos com pagamentos que se pensava existir.
Quando falava, distante das culpas que se procurou imputar à FIFA por ter alterado um extremis o calendário de concentração dos jogadores, o vice- presidente mostrava uma certa perplexidade pelo fruto da campanha em Marrocos. Mesmo que não se queira falar do nome do então seleccionador Pedro Gonçalves, cuja citação acabava quase proibida na conferência de imprensa, o certo é que a sua saída prematura influenciou, sim, os resultados obtidos e o regresso prematuro à casa do combinado angolano.
Claro que, para quem apostou em Beaumelle, que só agora vai residir no país para conhecer de perto os jogadores internos e a própria competição, a mudança não terá sido fundamental, como acredita piamente o próprio presidente Alves Simões. Mas não é esta a percepção de muitos entendidos na matéria, incluindo técnicos e antigos jogadores, que garantem ter sido uma jogada arriscada da equipa que hoje dirige a FAF há dois meses da competição.
Esta será, certamente, a razão fundamental do fracasso assumido por Alves Simões e sua equipa, que agora falam em melhorias nas competições internas para se conseguir melhores resultados no futuro. Mas é perigoso para um alto responsável acreditar que só com as omeletes da competição interna se alcançarão estes objectivos, o que não é verdade. É com uma planificação séria e com gente competente que se chega lá.
E o ponto principal é conhecer-se, de facto, os jogadores que se chamam para não termos em campo e no banco alguns turistas, como quase deu a entender.









