Uma das maiores memórias do multipartidarismo, depois dos Acordos de Bicesse, em 1991, foi o surgimento de vários partidos políticos num ápice. Além dos tradicionais, entre os quais os dois subscritores dos acordos que previam o fim do conflito armado naquela fase, nomeadamente o MPLA e a UNITA, outros acabaram por dar a cara.
Alterado o figurino político, gozando os cidadãos de liberdade e direitos para escolherem as melhores opções políticas, foram os movimentos de libertação. Do lado da sociedade vieram muitas propostas, muitas delas caricatas, mas defendendo cada um dos projectos um certo ideal. Na época, surgiram algumas centenas de partidos. Alguns parlamentares e outros extraparlamentares, mas quase todos sobrevivendo às custas dos cofres públicos, incluindo com variadíssimos incentivos fiscais.
Apesar das pretensões políticas que a maioria dizia ter, era sabido que muitas das organizações políticas se aproveitaram destes expedientes para outras acções fora do escopo que ditou a criação dos mesmos. A isenção de determinados impostos, sobretudo alfandegários, serviu de alavanca até para que muitos destes líderes se pudessem firmar como empresários.
Quando se invertem os papéis, com a introdução de mecanismos mais apertados para a legalização dos próprios partidos, entre os quais um maior número de assinaturas, viu-se alterar também de algum modo o aporte financeiro. Muitos dos extraparlamentares acabaram por ficar sem o bolo e até alguns com assento na Assembleia Nacional começaram também a enfrentar dificuldades devido às necessidades cada vez mais exigentes que tinham para suportar variadíssimas despesas.
Com o aluguer de sedes, algumas até nacionais, provinciais, municipais, pagamento de salários ou subsídios dos quadros, assim como a aquisição de meios de transporte para a mobilidade, levantam- se hoje questionamentos sobre as fontes actuais que garantem o financiamento.
É sabido que alguns partidos mais organizados possuem dentro das suas estruturas projectos empresariais, alguns dos quais sustentáveis, e outros apoiam até entidades particulares que vão, regularmente, ‘patrocinando’ as actividades, mesmo em surdina. Há até relatos de organizações que ocuparam determinados segmentos, incluindo a nível do sector informal. Fazer política, apesar de toda nobreza, exige custo.
É aí onde se tem de tomar cuidado com as formas como muitas destas organizações se vão financiando, podendo mesmo algumas serem usadas para lavagem de dinheiro ou participarem em negociatas que, se exprimidas, podem ser vistas como ilegais.
Por exemplo, durante a época eleitoral, muitos são os que se endividam diante de empresários nacionais e até estrangeiros na esperança de que estes depois possam ser ressarcidos na confiança de um bom resultado nas urnas. O que resta saber hoje é como estarão a se coser, não só para honrar estes, como outros compromissos diários e urgentes?









