Na era dos coaches, é comum encontrar soluções para muitos problemas num simples linguajar, mesmo sem qualquer comprovação científica. Aliás, é visível a enormidade de indivíduos que vendem as experiências que um dia supostamente tiveram e os êxitos que esperam ver replicados.
A verdade é que são milhares aqueles que buscam conhecimentos e saberes destes seres que, na época das novas tecnologias, se reproduziram de maneira assustadora, alguns dos quais sem qualquer experiência comprovada de que um dia fundaram ou estiveram em posições em determinadas empresas que lhes permitam, hoje, falar ou transmitir o que procuram expandir.
Mas ainda não impede, de modo algum, que o número de apoiantes e indivíduos ávidos em escutá-los marque pontos e faça reservas na primeira fila. Lembro-me de, há alguns anos, a convite da Academia BAI, ter participado de uma destas sessões, em que o prelector, ou seja, o coach, parecia conhecer do que falava, tendo mesmo largado uma posição-chave numa grande empresa para se dedicar à transmissão dos conhecimentos adquiridos.
São hoje vários os meios utilizados. Através de conferências e não só, vimos até figuras de proa, políticos e até outros ligadas a empresas estatais e privadas na primeira fila em busca de conselhos. Alguns deles até devem pagar a preço de ouro em pacotes quase exclusivos para terem acesso às palestras de antigos gestores ou políticos que anteriormente ocupavam lugares de proa em África, Europa e América.
Na passada Quinta-feira, no ANGOTIC, passei pelo pavilhão em que se encontravam as startups inscritas, muitas delas provenientes de províncias onde se acreditava não existir jovens com uma capacidade tão engenhosa, distante das habituais actividades do campo e da cultura.
Da economia à saúde, da restauração ao entretenimento, foi possível ver soluções tecnológicas que podem alavancar a economia das referidas regiões, à semelhança do que plataformas que hoje usamos foram inventadas ou criadas em garagens, como no Vale do Silício norte americano ou noutras réplicas pelo mundo.
Mais do que muitas propostas – ou ensinamentos até duvidosos –, os jovens mostravam, através de equipamentos, por exemplo, como se ter acesso a um serviço de facturas distante das tradicionais usadas hoje, como ter acesso a bens com pequenos aplicativos de e-commerce e até ter acesso a rotas turísticas em diversas localidades, mesmo estando distante de um guia físico.
Distante das grandes empresas, muitas delas bem sucedidas, o ANGOTIC tem sido rampa de lançamento de projectos e ideias que, se bem acolhidas pelo empresariado local, podem se tornar produtos e marcas de referências a nível do continente e, um dia destes, do mundo.
Além dos simples visitantes, entre curiosos e académicos, é imperioso que estes eventos se tornem montra para que os bancos e investidores possam apostar.
São vários os exemplos de projectos saídos de quartos, salas de aulas e garagens que hoje se tornaram indispensáveis para muitos. E as redes sociais que usamos hoje, algumas até de forma doentia, são a grande evidência de que muitos daqueles projectos exibidos pelas startup podem se transformar em grandes activos no futuro.








