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É de hoje… O novo mapa de Angola

Dani Costa por Dani Costa
1 de Janeiro, 2025
Em Opinião

Parecia ficção a forma como escrevia. Mas, há muito, quando a discussão nem sequer era apresentada nos moldes em que se acentuaram nos últimos anos, já o professor João Serôdio prognosticava que um dia destes o Moxico daria lugar a mais uma nova província e, quiçá, o Cuando Cubango também pudesse testemunhar o mesmo.

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O professor e ambientalista faleceu no dia 4 de Abril do ano passado, em Portugal, um país cujo tamanho é algumas vezes inferior à província do Moxico, que ele bem conhecia.

A partir de hoje, torna-se mais enxuta, dando lugar ao surgimento efectivo do Moxico Leste, contrariamente ao Cazombo, que ele defendia num dos seus escritos, antes mesmo da conclusão da nova Divisão Político-Administrativa.

Num ano em que se esperavam mais soluções para os problemas que afligem os angolanos, Angola assiste ao surgimento de 2025 com mais três províncias, totalizando 21, contrariamente às 18 que perduraram há mais de 40 anos.

Como qualquer outra decisão, devido aos factores históricos e culturais, haverá ainda aqueles que se manifestarão em surdina – ou mesmo em viva voz – contrários à divisão efectuada, assim como às denominações, mas o certo é que se vive num novo quadro em que as esperanças são de que venham a aproximar ainda mais os serviços e a presença do próprio Estado aos cidadãos.

A extensão de algumas das províncias divididas e a distância que havia entre os governados e governantes há muito que clamavam por soluções que pudessem fazer com que se pudesse diminuir o fosso.

A nova Divisão Político- Administrativa, já na era do Presidente João Lourenço, foi uma das soluções encontradas, embora se saiba que, à partida, só o desenvolvimento socioeconómico destas novas circunscrições estará dependente de recursos principalmente que facilitarão a criação de condições infra-estruturais, serviços e meios técnicos e tecnológicos.

Se algumas delas herdarão, com certeza, infra-estruturas como cidades, empresas, serviços públicos vários e uma economia praticamente funcional, como é o caso da província de Icolo e Bengo, por exemplo, outras nascerão quase que às cegas, devendo merecer do Executivo uma atenção especial em termos de orçamentos e outros apoios suplementares.

Uma das melhores viagens que fiz de carro foi sair de Luanda até à província do Cuando Cubango, hoje dividida em duas, nomeadamente as províncias do Cuando e do Cubango.

Quando, com um grupo de amigos, decidimos visitar a Jamba, então quartel-general da UNITA, tivemos de percorrer dois dias já dentro do mesmo território para atingirmos o destino.

Num percurso sinuoso, desafiante, que inúmeras vezes nos levou a questionar se ainda estávamos na mesma província, o então Cuando Cubango, devido à distância entre as comunas e municípios.

Quem lá está – ou passa – tem a mínima noção da falta de serviços e da necessidade urgente de o Estado estar mais presente com os seus vários serviços, assim como os privados.

As necessidades por que muitos destes angolanos passam estão muito distantes da ficção com que alguns querem desenhar ou definir políticas a partir de escritórios em Luanda, na Assembleia Nacional ou em manifestações em rádios ou TVs.

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