A cada dia que passa, é comum os cidadãos exigirem do Executivo a resolução de inúmeros problemas que vivem. É assim em relação à educação, saúde, transportes, segurança e não só. Sempre que se inaugura um projecto ligado aos temas acima mencionados, há quem ache conveniente felicitar.
Do outro lado, há aqueles que acham ridículo isso, porque os governantes não estarão a fazer nada mais do que aquilo que lhes compete. Quando se lhes é depositado o voto, durante as eleições, passa-se uma espécie de cheque em branco para que cumpram com as promessas eleitorais e, assim, criem condições para que os angolanos possam ter uma vida melhor.
Quando não se faz, são várias as percepções que se levantam. Fica-se até com a sensação de um uso indevido do foco, aumenta-se a falta de confiança, principalmente, critica-se os políticos. Vezes há em que até se parte para acções mais concertadas, como manifestações, por falta de cumprimento de promessas.
Apesar dos inúmeros problemas que possam existir, em Angola temos visto com regularidade a concretização de muitos projectos. Alguns antes anunciados pelo Executivo central, governos provinciais e até administrações municipais.
Entre estes, encontramos escolas, hospitais, postos de saúde e outras infra estruturas que deveriam ser muito bem cuidadas pelos próprios utentes e cidadãos em geral. Infelizmente, a forma como se critica o Executivo está muito distante daquela em que os cidadãos deveriam se empenhar em cuidar daquilo que é feito.
E pior ainda é o facto de muitos daqueles que supostamente se apresentam como críticos acabarem por prejudicar todo um esforço que é feito no sentido de se garantir melhores condições de vida aos cidadãos e serviços mais adequados.
Há alguns meses, foi notícia em vários órgãos de comunicação o facto de dois funcionários de um hospital num município de Icolo e Bengo terem furtado enormes quantidades de medicamentos e material hospitalar para equiparem um centro de saúde de um deles.
Esta semana, em Benguela, ocorreu uma situação semelhante. Um funcionário foi detido igualmente por furto de medicamentos e suplementos proteicos para crianças, que acabou por colocar à venda no mercado informal.
Era expectável que, nesta fase, os próprios cidadãos fossem aqueles que mais preservassem os bens públicos, por forma que se possa tirar o maior benefício de tudo quanto vai sendo feito pelo Executivo. Infelizmente, apesar dos apelos para a preservação, são os próprios cidadãos que se querem apoderar, de qualquer modo, dos bens e até destruindo o que, com muito esforço financeiro, vai sendo feito.
A lógica do cabrito ter de comer onde está amarrado vai-se tornando numa desgraça para o país. É seguro que muitos outros casos existam e que haja muitos mais funcionários públicos a andarem em sentido contrário, perigando o desenvolvimento que se pretende em muitos sectores da vida social no país.





