Há muito que não me desloco ao Zaire. Houve fases em que regularmente pisava as terras de Kulumbimbi por razões familiares. É uma província fenomenal e cheia de riquezas.
Quando se fala em recursos, muitas das vezes acabamos sendo levado a pensar unicamente no petróleo, quando a província tem muito mais nos seus mares e terras aráveis. É impossível dirigir-se ao município de Tomboco e não prestar atenção na quantidade de citrinos e outras frutas que se produzem nos campos.
Há laranja que se farta, assim como ananases e abacaxi vendidos na berma das estradas pelos camponeses. Lembro-me de, há alguns anos, ter visto ao redor de um pequeno vilarejo uma estrutura que se acreditava que viesse a ser uma fábrica de sumos ou outros produtos que iriam acabar com o desperdício que até ao momento ainda se assiste.
Ontem, quando assistia a um programa de televisão, em que o entrevistado era um alto responsável da referida circunscrição, voltou-se à baila a questão da implementação de uma fábrica. Não sei se desta vez a ideia irá mesmo descolar, porque a matéria-prima há muito que existe.
O Zaire é apenas mais uma das províncias em que há condições. Existem outras em que há frutas, muitas das quais apodrecem sem que se explorem as valências que têm, que muito poderiam servir para melhorar a vida das comunidades locais.
Há, por exemplo, partes da província de Benguela em que a produção de abacaxi é quase assustadora, em que os agricultores não sabem como escoar a produção para outros mercados.
Existem pelo mundo afora várias soluções, algumas até menos onerosas, que poderiam permitir que pequenas cooperativas ou grupos de camponeses – e investidores – criassem projectos que poderiam criar dezenas ou centenas de postos de trabalho para os jovens que hoje buscam no funcionalismo público a única saída para as suas vidas.
Já não se pode permitir que todos os anos assistamos às mesmas imagens de toneladas de produtos que acabam por se deteriorar porque não conseguimos instalar unidades de processamento.
FILDA 2026







