Um dos dias mais esperados pela garotada, como diriam os brasileiros, é mesmo o Natal, o conhecido dia da família, em homenagem ao nascimento de Jesus Cristo, o Salvador, à luz do Cristianismo. Quem viveu na periferia das grandes cidades do país, com realce para a sua capital, Luanda, terá saudades dos tempos em que, ainda meninos, se percorriam as casas vizinhas, de familiares e até de conhecidos, onde se buscava sempre uma fatia de bolo, uma gasosa ou outras ofertas que, generosamente, as pessoas tinham sempre à disposição para entregar.
Mais do que os mais velhos, era nestes dias, como hoje, 25 de dezembro, que os mais novos se aperaltavam. Era vê-los com vestimentas novas, sapatinhos limpos, alguns dos quais recém-adquiridos, assim como outros acessórios que acabavam por demonstrar não se estar num momento qualquer. E, na época, nem se levava muito tempo para se aperceber de que, em alguns locais, se estavam a confeccionar bolos e outros acepipes.
O cheiro era o convite, mesmo sabendo-se que, distantes dos grandes fogões a gás e dos fornos sofisticados, a destreza das senhoras, recorrendo ao carvão, de forma típica das cozinhas, fazia sair grandes obras de arte. Os tempos mudaram. E, certamente, as vontades também.
Mas é expectável que, longe das grandes cidades onde hoje habitamos, alguns até de forma luxuosa, nos musseques ou na periferia de Luanda, tenhamos muitos garotos a circular de um sítio para o outro, vizinhos a partilhar os mesmos espaços e familiares reunidos depois da ceia.
Embora, nos últimos tempos, para muitos, a palavra de ordem seja a crise, o espírito natalício ainda impera na maioria dos cidadãos e proporciona, quase sempre, um ambiente de unidade, festa e familiaridade. Hoje, assim como nos dias que se seguem, é esperado que os angolanos, e não só, se congreguem e façam desta quadra um momento de festa e de esperança em dias melhores. Assim como no passado, haverá sempre os que têm muito mais e outros que têm menos.
Que os que têm mais possam estender as suas mãos aos que não têm, e que aqueles que têm menos também o possam fazer dentro das suas possibilidades.
Mais do que os cabazes a que estávamos habituados em tempos idos, alguns dos quais ainda são exibidos a preços quase proibitivos para a maioria dos angolanos, hoje cada um, à sua maneira, vai procurar viver o Natal dentro das suas possibilidades e criatividade. Ainda assim, não se deixará de desejar a quem cruzarmos um Feliz Natal e que Jesus Cristo renasça no interior de cada um.








