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Depois da Declaração de Asmara sobre línguas e literatura africanas, já se pode esperar por obras bilingues da Academia Angolana de Letras?

Jornal Opais por Jornal Opais
14 de Novembro, 2024
Em Opinião

A inclusão linguística visa muA nossa reflexão, neste curto espaço, é sobre os pontos que nortearam a proclamação e divulgação da Declaração de Asmara sobre Línguas e Literatura Africana, fruto da Conferência realizada em Asmara, Eritreia, nos dias 11 a 17 de Janeiro de 2000, intitulada Contra Todas Probabilidades: Línguas e Literaturas Africanas no 21º Século.

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Tivemos contacto com A declaração de Asmara sobre Línguas e Literatura Africana por via da Revista da Academia Angolana de Letras n.º 2, de Dezembro 2023. Por isso, a nossa leitura foi orientada pelos pontos de ruptura, olhando para os desafios que a Academia Angolana de Letras tem a sua frente: posicionar-se sobre o estatuto das línguas nacionais e a questão do acordo ortográfico.

Depois de 24 anos, a Declaração de Asmara ainda é um instrumento a ter em conta, quando se questionar as políticas linguísticas e educativas dos países africanos, tal como se refere a Revista Academia, na página 329, “Nós examinamos o estado de línguas africanas em literatura, pesquisa, edição, educação e administração na África e pelo mundo”.

Na conferência de Asmara, os escritores e académicos de todas regiões da África –uma expressão muito usada ao longo da declaração – declararam dez pontos fundamentais.

Entretanto, elegemos pontos 1, 4, e 10: (i) línguas africanas devem tomar o dever, a responsabilidade e o desafio de falar pelo continente; (iv) (…) as línguas africanas devem utilizar o instrumento de tradução para avançar a comunicação entre todas as pessoas, incluindo desabilitados; (x) Línguas africanas são essenciais para a descolonização do espírito africano e para o renascimento africano.

Diante dos tres pontos acima mencionados, depreende-se que as línguas africanas devem representar o continente africano, isto é, com políticas linguísticas equilibradas e de massificação das línguas africanas em todas esferas da sociedade; a massificação das línguas africanas faz-se também com tradução de obras literárias, revistas e não só; e, por fim, para a efectivação do renascimento africano é necessário uso das línguas africanas.

Portanto, podemos questionar o papel da Academia Angolana de Letras para a procecução das orientações emanadas na Declaração de Asmara. Ou ainda, se porventura a Academia Angolana de Letras posicionar-se sobre os dez pontos, podemos esperar tradução do clássico da literatura angolana? E a outra pergunta menos importante, mas que importa fazer: no quadro do pessoal da Academia Angolana de Letras há um número suficiente de tradutores para o efeito ou, se se efectivar, pode contratar tradutores nas próximas edições da Revista Academia?

 

Por: ANTÓNIO KUTEMA

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