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CONTOS D’OUTROS TEMPOS: A revolta do núcleo duro e a luta pela expulsão do Man-Jojó na liderança do partido em Vidas de Ninguém (IV)

Domingos Bento por Domingos Bento
12 de Dezembro, 2025
Em Opinião

Essas entradas e saídas do Man-Jojó à casa da Velha Joana, por causa da Tilana, começaram a gerar conversas e revoltas no seio do seu núcleo duro, que o apoiava na liderança daquele partido que já nem nos convencia por causa das mentiras, esperanças idosas e roubalheiras.

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Os boelos do Diazuto, Poporó das Nonós, Kota Muleba, tio Luizinho das Corridas e o Laricó, que eram os homens da linha de frente do núcleo duro do Man-Jojó, descobriram que o tipo, afinal, levava todas as quotas dos militantes à casa da Velha Joana. Ali, comiam e bebiam com a gaja da Tilana, tudo por causa daquela mbunda dela. A raiva foi pior ainda quando o Laricó descobriu que, afinal, o ManJojó não comia sozinho a uva da Tilana. Aliás, fingia ser virgem, afinal de contas já se esfregava com o Miloy, o antigo presidente do partido a quem Man-Jojó substituiu.

Foi expulso porque também tinha os mesmos vícios: roubalheiras, mulheres, festas e distribuição das quotas para as coboiadas. Enquanto esteve na liderança, o Miloy já baixou, por várias vezes, a saia da Tilana. Grande fingida, aquela cara de santa, olhar sereno, português afinado e tímida, escondia uma malandra que fazia uma gestão rigorosa de todos que atravessassem o seu mar vermelho.

O Man-Jojó, boelo, inocente e armado em vijú, nem sabia que a dama a quem ele dava tudo era jornal de parede que só se lia às noites. E foi nessas noitadas que o Laricó descobriu que o Man-Jojó abastecia do melhor a casa da Velha Joana por causa da Tilana. Daí começou a luta para a expulsão do Man-Jojó. Mas todo o cuidado era pouco, porque ele tinha mesmo poder e quem ousasse contrariá-lo pagava uma factura alta.

O próprio Diazuto sabia disso. Tentou descobrir as piruetas do ManJojó e foi detido com acusações que não faziam sentido. Foi arguido por desviar dezenas de sacos de caixas de brinquedos que haviam sido comprados para os miúdos da rua do Cu-do-Boi.

Graças ao Simão, o amigo de dedo e unha do Man-Jojó, que implorou para soltar o Diazuto. Mas também esse arranjo só foi possível porque o Simão namorava a irmã do Diazuto. Eram todos compadres e farinha do mesmo saco.

E só ficamos a saber dessa ligação porque na festa de casamento da filha do Diazuto o Simão apareceu com um bolo de dez andares, que foi devorado em tão pouco tempo. Nos cantinhos, de vozes baixas, as pessoas que eram contra essas alianças e abusos, perguntavam como era possível, numa comunidade onde faltava de tudo um pouco, o Simão gastar todo aquele dinheiro num bolo de casamento.

Em tempos difíceis, como se vivia, não sobravam dúvidas de que o dinheiro que foi gasto naquele bolo daria para comprar cadernos, lápis e medicamentos para muitas crianças cujos pais votaram cegamente no programa de governação do Man-Jojó. E mesmo essa coisa de que o dinheiro do bolo saiu do bolso do Simão ninguém acreditou. Todos sabiam que o dinheiro foi mesmo dado pelo Man-Jojó e fazia parte das quotas dos militantes que deixavam de comprar o básico em casa para pagar a quota. Mas essas conversas de desvios, corrupção e alianças eram mesmo só à boca pequena.

É que todo o cuidado era pouco para a expulsão e a substituição do Man-Jojó. É que o tipo, apesar de se vestir bem, carregar no pulso um bom relógio e sapatos caros, era muito bruto. Até nas palavras ameaçava todos aqueles que tentavam se candidatar para a sua substituição.

Mas, para o Laricó, isso não era problema. Tudo que ele queria, em concertação com o Diazuto, Poporó das Nonós, Kota Muleba e tio Luizinho das Corridas, era expulsar o Man-Jojó da direcção do partido. Para isso, criaram alianças com outros mais velhos para acabar com a liderança do ManJojó. É que o povo que o votou já não suportava a insensibilidade e os discursos vazios do tagarela do ManJojó.

Tudo que prometeu durante os seus comícios no Campo Grande não estava a ser concretizado. Os jovens estavam cansados de serem distraídos com álcool, motorizadas de duas rodas, camisolas e chapéus do partido.

Queriam ver a comunidade a desenvolver como as outras, as ruas asfaltadas, crianças sem fome e empregos para os pais que se bateram para que o Man-Jojó fosse eleito, porque acreditavam que era para a felicidade de todos, mas, infelizmente, não foi assim conforme se sonhou. É que Man-Jojó esqueceu os amigos, o povo e toda a claque que o apoiou.

Sabendo que estava em dívida com a comunidade, recrutou novos membros para o seu staff e aumentou a segurança. Mas isso não inibiu o povo de lutar para a sua saída, já que, na sua política vazia e incompetência, ninguém mais acreditava. Então, para a concretização da sua retirada do poder, Laricó passou a assumir junto do povo a intenção de candidatar-se à liderança do partido.

Além do Diazuto, Poporó das Nonós, Kota Muleba e tio Luizinho das Corridas, Laricó tinha o apoio dos mais velhos, da juventude e de toda a comunidade farta da gestão danosa do Man-Jojó, que prometeu melhorar, mas piorou o estado de coisas que o povo vivia. Para convencer o povo, Laricó passou a falar português bonito, a vestir-se bem e a prometer que faria melhor. Essa situação incomodava o ManJojó que, volta-e-meia, lançava farpas contra Laricó, tratando-o de atrevido, brincalhão e apressado.

À semelhança do que tinha feito com outros concorrentes, ameaçava o Laricó de crimes, tudo isso para desmotivar o homem a prosseguir com o seu desejo de ser presidente daquele partido sem esperança…

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