OPaís
Ouça Rádio+
Sex, 20 Mar 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

África, anciã do mundo

Jornal Opais por Jornal Opais
6 de Outubro, 2023
Em Opinião

Quão gritante não será o tamanho do nosso espanto quando nos dermos conta de que somos, no final de tudo, aquilo que tanto procuramos.

Poderão também interessar-lhe...

Contos D’outros Tempos:Pequeno grande – Vidas de Ninguém (XVI)

Carta do leitor: Vamos proteger o ambiente…

É de hoje…Males da geração que não é da utopia

Que reside em nós as respostas para as muitas questões que todos os dias levantamos. Olho para a realidade actual das sociedades africanas, cada um procurando se libertar de uma espécie de nébula que sobre si paira, de um nevoeiro que nos obstrui a capacidade de enxergar com maior clareza, de uma espécie de labirinto em que fomos atirados, freneticamente buscando por uma chave mestra que desbloqueie a barreira que nos impede de desvendar o tão bem guardado mistério da nossa miséria.

Tal não será a nossa surpresa, quando nos dermos conta de que sempre tivemos em nossa posse esta mesma chave. Aliás, quão maior não será a nossa epifania quando nos apercebermos de que mais do que possuirmos a chave, nós mesmos somos a representação dessa chave. Esta descoberta jamais acontecerá, contanto que tenhamos a coragem de procurar assimilar quem de facto somos.

Ora, está cientificamente comprovado que a vida humana começou neste continente, daí que África seja considerada berço da humanidade. Questiono-me, entretanto, se realmente compreendemos as implicações que esta verdade carrega.

Nas comunidades africanas, os anciãos possuem um valor inestimável, por esta razão eles representam em muitos casos, em linguagem metafórica, um cajado.

Isto porque a sua existência garante sustento a comunidade em função da sabedoria acumulada e, quando morrem, é razão mais do que suficiente para profunda consternação e tristeza porquanto simboliza o advento de desestabilização no núcleo da mesma.

Daí que se diga, no caso das comunidades Ovimbundu: “ombweti yateka”, isto é, o cajado partiu.

Portanto, se concordamos que aos anciãos devem ser reconhecidas a devida importância e veemência, também deve o mundo à África, analogamente, reconhecer a sua relevância cimeira e inegável no grande esquema das coisas, na vanguarda do conhecimento, da ciência, tecnologia, filosofia, arte e da religião, porque se reconhecemos que África é o berço da humanidade, automaticamente reconhecemos que África é a anciã do mundo.

Acima de tudo, se o mundo se recusar em reconhecer tais coisas como, aliás, o vem fazendo nos últimos séculos, que ao menos compreendamos e reconheçamos nós mesmos a nossa riqueza, grandeza, sabedoria, e tenhamos a coragem de seguirmos o nosso próprio caminho, segundo os nossos princípios, códigos e filosofias.

Quando isto acontecer, teremos saído com sucesso do labirinto, teremos dissipado a nébula que nos cobre e teremos acedido à chave da verdade que desde sempre possuímos.

Para ser sincero, não me surpreende que os outros não reconheçam o nosso contributo na construção dos seus mundos, que não reconheçam que nós partilhamos com os seus patriarcas grande parte da sabedoria que os permitiu dar vida as suas civilizações. É uma realidade da vida, gratidão não se exige, por mais incômodo que seja.

O que não se concebe é a recusa de grande parte de nós em sermos nós, de acedermos de coração aberto a este rico manancial deixado pelos nossos ancestrais.

Uma infeliz verdade a nosso respeito é que estamos cheios de tabus e preconceitos a nosso próprio respeito. Tudo é motivo de suspeita, desconfiança.

Tudo é macumba, tudo é feitiço. Porém, a verdade é que o problema não é tão grave quanto aparenta. Tampouco incontornável. Somos apenas ignorantes a respeito de algumas coisas, e a ignorância extingue-se com a luz do conhecimento.

Conhecimento este a respeito de nós mesmos que não possuímos, por um lado porque não procuramos, por outro lado porque não somos convidados o suficiente para tal.

Contudo, este conhecimento, este esclarecimento, esta luz está mais acessível do que se imagina. Embora seja difícil perceber, ela reside em nós mesmos.

Esta profunda sabedoria africana pode ser condensada em uma expressão: “Ubuntu”, ou seja, eu sou porque nós somos. Isto significa que todos os esforços e planos que tiver de traçar serão feitos tendo por escopo o benefício de toda a comunidade.

Ubuntu pode ser facilmente identificado na nossa sociedade angolana, com maior expressão nas zonas suburbanas. Quando vemos um ancião na rua, dizemos: bom dia, pai; apesar de se tratar da primeira vez que estabelecemos contacto com aquela pessoa.

Quando mais novo, lembro que se estivéssemos à falta de sal em casa, pão, legume ou coisa outra, pedíamos, sem hesitar, ao vizinho e este nos concedia sem rodeios nem cerimônias porque o mesmo também vinha ao nosso encontro quando estivesse com escassez de alguma coisa.

Fazíamos isto, porque a filosofia Ubuntu está-nos no ADN e ela nos ajuda a compreender que o vizinho é a extensão da nossa família, somos uma comunidade e em função disso, eu não posso me sentir bem se o meu próximo estiver infeliz.

Por exemplo, o vizinho podia corrigir o meu filho sem receios porque tinha consciência de que o meu filho também é seu filho e na ausência do pai biológico, ele deve exercer o papel de educador porque a índole do filho do vizinho tem impacto não só em casa deste, mas também no núcleo da comunidade.

Nós percebemos estas diferenças fundamentais entre nós e outros povos, principalmente quando viajamos pra Europa. Quantas vezes não ouvimos relatos de irmãos africanos sobre a cultura da individualidade característica do povo europeu… Sobre como um vizinho é capaz de passar meses sem ver o outro, ou sequer saber os nomes uns dos outros, quanto mais pedir por empréstimo coisas uns aos outros, é simplesmente impensável!

Quando ouvimos este tipo de relatos por parte dos nossos irmãos, é sempre carregado de um tom de incompreensão, de estranheza e saudades do modo de vida caloroso e espírito comunitário próprios dos seus países africanos.

Que isto seja um indicador claro de que afinal não estamos tão “atrasados” e que não há nada de errado em sermos quem e como somos.

 

Por: EDUARDO PAPELO

Jornal Opais

Jornal Opais

Recomendado Para Si

Contos D’outros Tempos:Pequeno grande – Vidas de Ninguém (XVI)

por Domingos Bento
20 de Março, 2026
DR

Zequinha era o filho caçula da família, o que fechou o ventre da tia Conceição, mas era o mais grosso,...

Ler maisDetails

Carta do leitor: Vamos proteger o ambiente…

por Jornal OPaís
20 de Março, 2026
DR

Caro coordenador do jornal OPAÍS, saudações a todos os trabalhadores desta casa de imprensa. Tenho 45 anos de idade e...

Ler maisDetails

É de hoje…Males da geração que não é da utopia

por Jornal OPaís
20 de Março, 2026

Cinquenta anos depois da Independência Nacional, celebrada com pompa e circunstância, Angola ainda procura caminhos que a levem ao verdadeiro...

Ler maisDetails

Igualdade de género

por Jornal OPaís
20 de Março, 2026

A igualdade de género é um direito fundamental. É justiça social. Garante que as mulheres e os homens tenham as...

Ler maisDetails

Cólera mata mais de 400 pessoas

20 de Março, 2026

Presidente do Botswana encerra visita de trabalho em Angola

20 de Março, 2026

Novo PGR toma posse

20 de Março, 2026

João Lourenço empossa Juízes Conselheiros do Supremo

20 de Março, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • OPaís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.