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Aculturação e alienação dos angolanos: um olhar em torno da obra “Nzinga Mbandi”, de Manuel Pedro Pacavira

Jornal Opais por Jornal Opais
24 de Fevereiro, 2023
Em Opinião

A beleza da literatura, para além de estar na sua forma, também se encontra no seu conteúdo.

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Em virtude disso, os fazedores da arte literária trazem contextos sociais, históricos, culturais e tantos outros de uma sociedade nos seus textos.

O presente ensaio procurou refletir sobre alguns aspectos socioculturais do povo angolano, tendo como ponto de partida o romance “Nzinga Mbandi”, de Manuel Pedro Pacavira.

Esta obra literária pertence à colecção 11 Clássicos da Literatura Angolana, editada pela Grecima e publicada em 2015, na cidade de Luanda.

O romance em questão aborda situações históricas dos reinos de Angola, como reino do Kongo, reino do ndongo e reino da Matamba  reino este que fora liderado pela Rainha Nzinga Mbandi (nome que dá título ao texto).

Embora a obra ofereça-nos narrações sobre os dois primeiros reinos mencionados, o seu ápice é o reino da Matamba e a sua Rainha Nzinga Mbandi e o colono português.

A narrativa “Nzinga Mbandi” apresenta-nos uma passagem que evidencia os verdadeiros objectivos do colono português no território que hoje se chama Angola.

Como se pode ver no excerto: (…) “os estrangeiros que a dada altura começaram a procurar maneiras para tudo modificar no Kongo, suas instituições, títulos nobilitários, usos, costumes, nomes e até a maneira de pensar de cada pessoa” (…) (Pacavira, 2015, p.27).

Em função do trecho apresentado acima, questina-se se o povo angolano está alienado ou aculturizado, porque já se passou muito tempo desde os 500 anos de escravidão, mas parece que os objectivos do colono ainda continuam aceso.

Relativamente à definição de aculturação, a professora Daniela Diana define aculturação como sendo a relação ou fusão entre duas ou mais culturas.

(Diana, Toda Matéria, acedido aos 15 de Fevereiro de 2023).

A mesma pesquisadora adverte que “cultura é um conceito muito amplo que envolve conhecimentos, valores, costumes, modos de fazer, práticas, hábitos, comportamentos e crenças de determinado povo” (…) (ibidem).

O conceito de aculturação está sempre ligado à cultura, pois, aculturação é uma palavra que deriva do lexema cultura.

Assim sendo, na obra em análise, a figura de Nzinga Mbandi surge como símbolo de resistência aos ideais do colono português  que procurou transformar a todo custo os reinos angolanos, consequentemente, o país Angola.

No contexto narrado, os indivíduos pertencentes aos reinos do Kongo, do Ndongo e da Matamba eram obrigados a aceitar tudo que o colono ditava; como a mudança de nomes, formas de adoração e abstenção permanente ao uso de suas línguas nativas.

Actualmente, parece que o angolano acostumou-se com isso, porque no processo de nomeação de seus filhos a maior parte dá nome português em função da vergonha que sente dos antropónimos vindos de sua cultura.

Há também casos em que alguns nomes nacionais são rejeitados nas conservatórias quando se pretende registar o filho.

No que tange à vestimenta, a maior parte dos jovens nega vestir roupas feitas de pano ligados às culturas angolanas, preferindo o uso de calça jeans e tantas outras formas de vestir que não é parte de suas culturas.

O território angolano é constituído maioritariamente por jovens; juventude que, na sua maioria, nega falar a sua língua nativa, sente vergonha, zomba de quem fala.

Para piorar a situação, as línguas locais não se encontram no sistema de ensino angolano. Por que razão o Ministério da Educação não emplementa? Será o processo de aculturação? Olhando para estes acontecimentos e tantos outros que tenham passado dispercebido, indagase se o povo angolano não esteja a viver um processo de alienação.

De acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa (2001, pp. 171-2, apud Serra, 2008, p.5), a palavra alienação vem do latim alienus, que veio a dar “alheio”, significando “o que pertence a um outro”.

No domínio do direito, a alienação designa o acto de transferência da posse ou do direito de propriedade de alguma coisa para outrem, seja por doação seja por venda.

No domínio da psiquiatria, a alienação era, até há algum tempo há hoje tendência para abandonar o termo  sinónimo de doença mental grave, envolvendo a perda da noção quer da identidade pessoal quer da realidade. (ibidem).

Nzinga Mbandi não foi aculturizada e nem se aleinou.

Ela e suas irmãs rejeitaram os nomes que lhes tentaram atribuir, como demonstra o excerto: (…) E dizei-lhe também que o nome de Ana de Sousa que o outro me quis oferecer não pegou. Não podia pegar.

O mesmo sucede com as minhas irmãs, a Kambo não quer o nome de Bárbara, a Fuxi manda dizer que seu nome é mesmo Fuxi.

Que ide aplicando o nome de Engrácia às vossas filhas que is parindo, vós outros (…) (Pacavira, 2015, pp.105-6).

Meditando nos conceitos de aculturação e alienação aqui apresentados, questiona-se: povo angolano estamos aculturizados ou alienados?

 

Por: ARMANDO MARIA

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