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OPaís

A primeira lei da cidadania da língua

Jornal Opais por Jornal Opais
24 de Fevereiro, 2023
Em Opinião

Para todos os efeitos, quem tenha nascido num país de lingua oficial portuguesa, está hoje à distância de: um desejo, um clique e 15 euros; de poder morar em Portugal durante um ano.

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Quando Portugal decide atribuir de forma automática aos imigrantes da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) uma Autorização de Residência (AR) com a duração de um ano, o conceito de “Cidadania da Língua” deixa de ser uma ideia minha e passa a ser realidade de todos.

Depois de tomar esta medida, resolvendo o problema a mais de 150 mil estrangeiros (mais de 100 mil brasileiros) morando em terras lusas em situação irregular, o governo de Lisboa ganha legitimidade para pedir mais reciprocidades ao presidente Lula; que poderiam ser já anunciadas na Cúpula que ocorre em Portugal de 22 e 25 de abril.

Esta inovação dos portugueses, independentemente de motivada por uma disfunção aguda do órgão responsável pela atribuição das ARs— o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) constitui um evento histórico por 6 razões fundamentais.

Promove a integração, reconhece a importância da língua, a relevância da história comum, facilita a mobilidade, promove a diversidade e é pioneiro na (re)definição conceito de cidadania.

A concessão da AR a todos os falantes da língua ajuda a promover a integração na sociedade.

Ficando mais perto de ser cidadãos, os imigrantes vão sentir-se mais incluídos na comunidade e ter mais oportunidades para participar na vida política, social e económica.

Ao reconhecer a língua portuguesa como um elemento unificador e identitário, Portugal inova.

Atribuindo à língua falada por mais de 260 milhões de pessoas em todo o mundo  uma nóvel função perlocutiva.

Fazendoa ultrapassar o estatuto de simples instrumento de comunicação, defenindo-lhe relevância jurídica.

Saradas que estão as principais feridas do tempo colonial, ao conceder a AR a todos os falantes da língua, Portugal, simultaneamente reconhece as faltas do passado e define as pontes para o futuro.

Portugal promove a diversidade e a inclusão, combate a discriminação e promove a igualdade de oportunidades para todos os indivíduos, independentemente da sua origem ou nacionalidade.

Facilitando a mobilidade, aumentam a facilidade em viajar, trabalhar e estudar em Portugal.

A concessão da AR aos falantes de Camões vai fortalecer os laços políticos e culturais entre os países de língua portuguesa.melhorando os mecanismos de cooperação internacional em áreas como o comércio, a educação,a saúde e a segurança.

Ao definir um importante momento político e normativo, a atribuição automática de AR aos falantes de português poderá ser o mais poderoso catalisador deste “Primeiro movimento de contra colonização da História” que hoje une Portugal e o Brasil.

Ao acolher os falantes da mesma língua, Portugal vai aumentar (ainda mais) o seu prestígio internacional demonstrando que esta nova cidadania contribuirá para reduzir discriminação e xenofobia, vai promover a inclusão social e política, e ainda ser um poderoso estímulo ao crescimento económico.

Transformar problemas em oportunidades será a mais nobre e necessária função dos políticos, mas todos sabemos como muitas vezes tal facanha é dificil de conseguir.

Por isto, dêm-se os parabéns ao Governo luso e o ministro José Luis Carneiro que conseguiu transformar um problema quase sem solução a dolorosa morosidade do SEF  em uma oportunidade geracional.

 

Por: JOSÉ MANUEL DIOGO

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