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‘A língua em lugar assim’ de João Tala – uma abordagem à luz da [etno] linguística I

Jornal Opais por Jornal Opais
14 de Outubro, 2024
Em Opinião

Desde já, entendemos sublinhar que abordagem a que nos propusemos, a língua em Lugar Assim de João Tala, fitase sob a perspectiva da sociolinguística que se ramifica a partir da linguística.

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Adendamos que objecto de inferência etnolinguística, neste caso em concreto, funda-se a partir da obra literária que, perfila-se sob a égide de género poético, postula-se de Lugar Assim publicada em 2004 pela União dos Escritores Angolanos.

O poema que materializa a nossa leitura etnolinguística, congresso internacional da língua, faz parte da obra que dá título ao nosso tema. De referirmos que a obra, Lugar Assim, está estruturada em três vectores: I Economia, II Mãos textuais e o Corpo da palavra, III Remendos de memórias.

Por ora, concluímos que não se constitui um imperativo anuirmo-nos a um revisionismo bibliográfico atinente ao percurso do poeta João Tala. Assim sendo, o nosso objectivo prendese a uma cirúrgica apresentação construtivista à luz da coabitação etnolinguística, à luz da criação de políticas linguísticas, à luz do fomento da cultura livresca e à da produção de saberes sob as lentes complementares das línguas nativas.

Pois, o poema que dá corpus a nossa peregrinação hermenêutica, congresso internacional da língua, estabelece uma relação de dialéctica funcional, na perspectiva linguística, tendo em vista os diversos enunciados que comportam o vasto tecido etnolinguístico angolano.

Sinalizamos que as abstracções aferidas a partir do modus operandi, embora não seja de todo conclusivo, porém, permite-nos compreender que a língua, enquanto instrumento de socialização, veículo de elevação e de anulação das sociedades, consubstancia-se em uma ferramenta que precisa ser manuseada com elegância.

E neste sentido, a escolha do poema em análise deveu-se pela sua carga metalinguística; pelo seu significado socio histórico, isto é, por dialogar com os diferentes processos a que estamos sujeitos; por sua operacionalidade e atemporalidade etnolinguística; pela sua representatividade metafórica; pelo valor seu antropológico, ou seja, por conta da forma como nos forjamos enquanto Estado.

Alerta-nos Silbermann “o facto literário pode ser também um facto sociológico” (1973, p.53) Logo, a língua sob o prisma da função da sociologia da literatura é também um meio de arremesso ao preconceito sociolinguístico, no caso em abordagem, tendo em conta o enunciado do sujeito poético em João Tala “Todas as línguas me tomam desde o kimbundo ao português do bairro” (2004, p.27).

Assiste-se, no trecho transcrito, a uma alusão à coabitação etnolinguística, pois, afunila a ideia da violência simboliza entre e sobre as comunidades que compõem a esteira etnolinguística angolana.

O sujeito poético, em João Tala, sublinha “Neste congresso as palavras passam de mão a mão medidas de consequências/” (2004, p.27). Historicamente, a língua, neste caso, a palavra, sempre apresentou avanços e recuos nas relações etnolinguística, algumas vezes, por conta do etnocentrismo e, outras vezes, pelo poder que ela exerce sobre as acções humanas.

A relação ontológica bidimensional entre a palavra e a estética, no circuito da literatura, submete-se à atemporalidade e às diferentes geografias. Daí que, subscrevemos o pensamento de Escarpit quando categoriza que “Na literatura, a palavra é vencedora do tempo e do espaço” (1973, p.46).

Quanto à conflitualidade, a palavra está associada à forma como lidamos com a língua enquanto mecanismo de transformações sociais, de aceitações das pluralidades, alavanca em acto nas construções das democracias.

Vejamos que o sujeito poético, em João Tala, retorque num gesto apelativo “não comece outro dialecto/ dá em guerra” (2004, p.27). O dito, até ao momento, não estanca outras possibilidades de interpretações, outras análises sobre o mesmo objecto e, sobretudo, mudança de figurino argumentativo no texto mais completo.

 

Por: HAMILTON ARTES

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