Quem tem mais de três décadas de televisão, como eu, já viu muita revolução chegar às redacções. Lembro-me das máquinas de escrever ruidosas que foram substituídas pelos primeiros computadores.
Do teleprompter que era uma projecção das laudas de papel. Recordo-me das ilhas de edição lineares, com aquele amontoado de fitas magnéticas, que exigiam o envolvimento de várias pessoas na sua operação, e da correria louca para colocar um link ao vivo no ar; quantos equipamentos eram utilizados para isso! E hoje, cabem tranquilamente no nosso bolso.
A gente sempre achou que já tinha visto de tudo. Mas confesso a você, com a franqueza de quem já gastou muita sola de sapato atrás de notícia: na da se compara à velocidade e ao impacto do que estamos vivendo agora com a Inteligência Artificial.
A IA invadiu os estúdios, as ilhas de edição e as redacções de um jeito que surpreende até os mais optimistas. Diante desse cenário que parece ficção científica, a pergunta que reverbera nos corredores das emissoras é: estamos diante de uma ameaça mortal ao nosso ganha-pão ou de uma oportunidade de ouro para reinventar a profissão?
A IA como parceira de redacção: menos suor, mais estratégia
Para quem vive o dia-a-dia frenético das redacções de jornalismo, a IA tem sido uma verdadeira bênção. Sabe aquela decupagem infinita de horas e horas de gravação? Hoje, sistemas de transcrição automática resolvem isso num piscar de olhos, poupando tempo precioso da equipa.
Além disso, os algoritmos nos ajudam a entender o comportamento da audiência, facilitam a verificação de dados e distribuem o nosso conteúdo de forma inteligente para alcançar quem assiste a nós em múltiplas plataformas. Para as emissoras, a questão já não é mais “se” vamos adoptar essas tecnologias, mas “como” vamos fazer isso com estratégia e responsabilidade editorial.
Por: WILLIAN CORRÊA








