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A ciência ao serviço da saúde de todos

Jornal OPaís por Jornal OPaís
7 de Abril, 2026 - Actualizado a 8 de Abril, 2026
Em Opinião
Foto de: DANIEL MIGUEL

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A celebração do Dia Mundial da Saúde de 2026, que de corre sob o lema “Juntos pela Saúde. Apoie a Ciência”, nos convida a reflectir sobre o papel fundamental da ciência na protecção da vida e no fortalecimento dos sistemas de saúde. Comemorar este dia significa valorizar a investigação, a inovação e a tecnologia que salvam vidas e possibilitam decisões mais eficazes, rápidas e justas para toda a sociedade.

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Nos últimos anos, Angola tem dado passos importantes neste sentido, seguindo a visão estratégica do Presidente da República e Titular do Poder Executivo, João Manuel Gonçalves Lourenço. A expansão dos serviços essenciais, a construção de novas unidades hospitalares, a contratação de profissionais de saúde e o investimento contínuo na formação e especialização de cerca de 38 mil trabalhadores do sector evidenciam uma aposta consistente na melhoria do acesso e da qualidade dos cuidados de saúde.

A introdução de soluções inovadoras, como a telemedicina e a cirurgia robótica, vem reforçar esta transformação, aproximando os serviços especializados das populações e elevando o padrão de assistência clínica.

A introdução de vacinas estratégicas, como a vacina contra o HPV, essencial para prevenir o cancro do colo do útero, e, brevemente, a implementação da vacina contra a malária em Angola representam um avanço decisivo na prevenção de doenças de elevado impacto no país.

Simultaneamente, o reforço dos sistemas de vigilância epidemiológica e a modernização da rede laboratorial consolidam o papel central da ciência na formulação e na execução das políticas de saúde. Inovações recentes, como a redução do esquema de tratamento da tuberculose, a actualização dos protocolos terapêuticos da infecção pelo VIH e da malária, a melhoria das condições de hemodiálise e o aumento da capacidade de resposta a emergências sanitárias, demonstram de forma inequívoca que o investimento científico tem um impacto directo na vida das pessoas: salva-vidas, torna os cuidados de saúde mais eficientes e fortalece a resiliência das comunidades. Estes progressos confirmam que a ciência funciona actualmente como um verdadeiro ecossistema integrado.

A vigilância digital permite acompanhar doenças em tempo real; a inteligência artificial apoia diagnósticos mais rápidos e a genómica ajuda a identificar padrões, a antecipar surtos e a orientar respos tas com mais precisão.

Quando estas e outras ferramentas exis tentes trabalham em conjunto, a medicina torna-se mais preditiva, mais acessível e capaz de chegar a quem mais precisa. Esta transformação é particularmente relevante num país jovem como Angola, onde mais de metade da população tem menos de 25 anos. Investir na formação

científica desta geração é preparar o futuro. É por isso que é tão importante o programa de especialização do MINSA, que capacita milhares de profissionais em áreas como a biotecnologia, a genómica, a inteligência artificial aplicada à saúde e a investigação clínica.

Com mais competências locais, Angola será capaz de criar as suas próprias soluções, prevenir doenças de forma mais eficaz e fortalecer a sua capacidade de resposta perante novas ameaças sanitárias. A produção científica nacional acompanha esta evolução.

Desde a pandemia de SARS-CoV-2, Angola tem vindo a reforçar a investigação em áreas como as doenças transmissíveis, a resistên cia antimicrobiana, a saúde ambiental e a vigilância genómica.

Actualmente, o país conta com mais de 140 artigos científicos publicados em revistas internacionais que abordam temas como malária, VIH, hepatites, tuberculose, doenças genéticas, saúde materno-infantil e vigilância de surtos. Este cresci mento demonstra a maturidade científica do país e fornece dados essenciais para a elaboração de políticas públicas mais bem fundamentadas. Paralelamente, é evidente a modernização tecnológica das unidades de saúde.

A aquisição de equipamentos, como a ressonância magnética e a tomografia computorizada, permite diagnósticos mais completos e intervenções mais eficazes nas áreas da cardiologia, do diabetes, do cancro e da saúde mental.

Um marco importante foi a introdução da cirurgia robótica no tratamento do cancro da próstata, que permite reduzir os riscos, melhorar os resultados e acelerar a recuperação dos pacientes.

As campanhas nacionais de rastreio também contribuem para a detecção precoce e a redução da mortalidade por doenças não transmissíveis. A digitalização dos serviços de saúde tornou-se outro pilar es trutural do reforço do sistema de saúde em Angola.

A plataforma REDIV permitiu o registo individual da vacinação da população durante a pandemia de SARS CoV-2 e tem vindo a ser utiliza da nas campanhas nacionais de vacinação contra a pólio e o HPV. O sistema IOTA optimizou a gestão de vacinas e de outros produtos essenciais, aumentando a transparência e a eficiência.

A integração destas plataformas ao DHIS2 assegura um fluxo de da dos mais seguro, fiável e útil para orientar decisões que afectam milhões de pessoas. A biotecnologia vem reforçando esta mesma linha de modernização.

Os testes rápidos e de alta sensibilidade foram fundamentais para a detecção precoce da doença por coronavírus 2019 (Covid-19) e da cólera. Além disso, o crescente investimento na produção farmacêutica nacional, baseado em parcerias estratégicas e na transferência de tecnologia, ajuda a reduzir a de pendência externa de medica mentos e de material médico, ao mesmo tempo que fortalece a segurança sanitária e impulsiona o desenvolvimento económico e o emprego qualificado. Por tudo isto, fica evidente que a ciência é uma aliada funda mental para o progresso da saú de pública.

É graças a ela que o país continuará a fortalecer o seu sistema de saúde, garantin do que todas as crianças, todas as mulheres, todas as famílias e todas as comunidades tenham acesso a cuidados mais justos, mais eficazes e mais próximos.

No Dia Mundial da Saúde de 2026, este compromisso renova-se: trabalhar com determinação para que nenhum cidadão seja deixado para trás e para que a saúde seja, de facto, um direito de todos.

A construção de um futuro mais saudável exige continuidade, responsabilidade e coragem para colocar o conhecimento ao serviço das pessoas. O caminho está definido: cabe-nos avançar juntos, com a ciência como guia, para transformar o ideal de “saúde para todos” numa realidade concreta e duradoura.

Por: SÍLVIA LUTUCUTA

Ministra da Saúde

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