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Subida do combustível na Namíbia causa enchentes nos postos de Ondjiva

Jaime Tabo por Jaime Tabo
28 de Agosto, 2023
Em Manchete

Um litro de gasolina na vizinha República da Namíbia custa cerca de 1,5 dólar norte americano, equivalente a mil e 300 kwanzas, aproximadamente, situação que está a atrair automobilistas daquele país para abastecerem nos postos de Ondjiva, na província do Cunene

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Os automobilistas angolanos que fazem do trans- porte de pessoas e bens o seu ganha-pão, naquele município da província do Cunene, estão agastados com o facto de cidadãos da vizinha Namíbia passarem a fronteira, a fim de procederem ao abastecimento dos depósitos das suas viaturas. Para estes, a realidade inquietante está, necessariamente, relacionada com procedimento de abastecerem cerca de 300 litros de gasolina por cada viatura, o que alarga o tempo de espera de quem, por exemplo, pretende abastecer pequenos depósitos.

Emanuel Francisco é um condutor oriundo da província da Huíla, que se encontra a trabalhar em Ondjiva. Este jovem assevera que a situação de enchentes tem sido provocada, indiscutivelmen- te, pelos cidadãos namibianos, que demoram largos minutos nas bombas de abastecimento. “O que causa esta enchente são os namibianos que vêm aqui abas- tecer. Um carro de um namibiano pode levar 300 litros, e demora muito tempo na bomba. Esta é uma das principais causas”, queixou-se.

Pernoitar para abastecer

Apesar das dezenas de veículos que se encontravam à espera de abastecimento, o mototaxista Paulo Domingos classificou o cenário como melhor, a julgar pelo facto de que, naquele dia, a entrada de namibianos no país ficou restrita. Pois, no entanto, o interlocutor afirmou que nos dias a que chamou de normal, a fila tem sido vá- rias vezes maior, realidade que leva muitos a perderem o dia ou a noite para abastecer os depósitos dos seus meios de transporte. “Nos dias normais, a fila é enorme. Seja carro ou motorizada, por vezes, chegamos aqui às seis e saímos às 16 horas. Outros vêm às 15 horas e passam a noite aqui”, lamentou. A informação que passou foi apoiada pelos que assistiam a esta reportagem. “Tem sido assim mesmo”, confirmaram em coro, acrescentado que a fila pode medir, por vezes, um ou dois quilómetros.

Enquanto a realidade permanece, os cidadãos nacionais clamam por medidas governamentais que visem pôr fim ao sofrimento por que passam provocada pela presença considerável de namibianos, conforme entendem a sua situação. “Nós pedimos ao nosso Governo que resolva esse problema. Pelo menos, que coloque um posto na fronteira para os estrangeiros, para que não venham mais aqui, porque estão a dificultar o processo do nosso trabalho”, disse o mototaxista Paulo Domingos. Por seu turno, o automobilista namibiano Celestino Nangola, que estava à espera da sua vez para abastecer a viatura, admite que os preços da gasolina, no país, está melhor em relação ao que é praticado na Namíbia.

Nangola conta que no seu país o litro desse produto está a custar 20 dólares namibianos contra 300 kwanzas em Angola, o que, de qualquer forma, os leva a optarem pelo abastecimento em Ondjiva, onde o custo é reduzido para a realidade dos seus compatriotas. “Aqui está melhor do que na Namíbia. Na Namíbia está muito caro, porque lá está a custar 20 dólares namibianos, um litro. Isto está muito caro, enquanto aqui são 300 kwanzas por litro”, frisou.

Prioridade para os nacionais

O supervisor de turno do posto de abastecimento da Sonangol, que fica à margem da estrada que liga Ondjiva à Santa Clara, Leandro Cihafeleni, entende os factores que motivam os cidadãos namibianos a acorrerem à procura de combustíveis no país, mas assegurou que a prioridade tem sido dada aos nacionais. “Nós temos trabalhado para não prejudicar os angolanos. Quando a fila dos namibianos é maior, nós priorizamos os angolanos, pois, talvez, os da Namíbia já terão feito o trabalho deles no seu país”, explicou.

Leandro Cihafeleni calculou que, considerando que 100 rands está a ser cambiado a quatro mil e 500 kwanzas, os namibianos conseguem com este valor cerca de 15 litros de gasolina em Angola, contra cinco na Namíbia. Por isso, disse, mesmo com a subida do preço para 300, no espaço nacional, a realidade ainda lhes facilita. Este responsável pela supervisão esclareceu, também, que a realidade é conhecida desde o ano passado, altura em que o preço do combustível na Namíbia foi alterado.

Jaime Tabo

Jaime Tabo

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