O Banco Sol reuniu, quinta-feira, 10 de Setembro, representantes da banca, da indústria petrolífera, da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) e de empresas nacionais e estrangeiras, num painel do Angola Oil & Gas (AOG) 2026, para discutir os desafios de financiamento aos empreendedores do sector de petróleo e gás em Angola.
Sob o tema “Closing the Gap: O Papel dos Bancos Locais na Construção dos Empreendedores do Sector Petrolífero e de Gás em Angola”, o debate procurou identificar formas de reduzir o fosso entre as necessidades de financiamento das empresas e a capacidade da banca doméstica para apoiar projectos de maior dimensão.
O painel foi moderado por Peter Olowonomi, director regional de Operações do Afreximbank para a África Austral, e teve como anfitrião o Banco Sol, representado pelo Presidente da Comissão Executiva, Osvaldo Lemos Macaia.
Na ocasião, o gestor afirmou que os sectores de petróleo e gás integram actualmente a estratégia de transformação do Banco Sol e representam uma área relevante de negócio.
Segundo Osvaldo Macaia, a instituição possui uma carteira de crédito superior a 50 milhões de dólares no sector, trabalhando com empresas como a Etu Energias e participando em sindicatos internacionais de financiamento, incluindo operações relacionadas com a Sonangol Finance.
A instituição criou, há dois anos, o Oil & Mining Desk, estrutura que, segundo o responsável, contribuiu para mais do que duplicar o volume de negócio associado à área, de cerca de 48 mil milhões de kwanzas para perto de 80 mil milhões de kwanzas.
Entre os factores apontados para esta evolução estão as operações de Foreign Exchange (FX) e a prestação de serviços cambiais a empresas da indústria.
Funding continua a ser desafio
Apesar dos avanços registados, o painel destacou constrangimentos que continuam a limitar a capacidade da banca angolana para financiar projectos de grande dimensão e com maturidades mais longas.
Entre os principais desafios foram apontados o custo de capital, a dimensão do mercado bancário, o risco cambial, o acesso a funding e determinados enquadramentos regulatórios.
Osvaldo Macaia chamou igualmente a atenção para o facto de uma parte significativa da liquidez gerada pela indústria petrolífera não permanecer no sistema financeiro doméstico.
Segundo o gestor, os depósitos e a transaccionalidade associada ao sector petrolífero acontecem, em grande medida, offshore, situação que reduz a capacidade dos bancos nacionais de transformar essa liquidez em financiamento à economia.
A questão do acesso a funding também foi levantada por Inocelina de Carvalho, Administradora-Executiva do Banco Angolano de Investimentos (BAI), que considerou este factor um dos limites à maior participação da banca no financiamento da indústria de petróleo e gás.
A responsável defendeu a necessidade de mecanismos de financiamento ajustados à dimensão e à natureza dos projectos do sector, tendo igualmente destacado a permanência do risco cambial.
Por sua vez, Odyle Cardoso, administradora-executiva do Banco de Crédito do Sul (BCS), apontou a obtenção de um correspondente em dólares como um passo importante para ampliar a actuação da instituição no sector de Oil & Gas. Sublinhou também a necessidade de adaptar as soluções financeiras aos ciclos longos de investimento da indústria.
José Nascimento, do Banco de Fomento Angola (BFA), destacou o défice de know-how entre a banca e o sector petrolífero, enquanto Fernando Chivinda, Director de Pequenas e Médias Empresas do Standard Bank, abordou a perspectiva do financiamento e desenvolvimento das empresas nacionais.
O painel contou ainda com Maura Nunes, Directora do Gabinete de Fomento ao Conteúdo Local da ANPG; Edson Pongolola, da Sonangol; Ulanga Gaspar Martins, CEO da Poliedro; e Jacob Flewwlling, Conselheiro de Investimento em África.
Promovido pelo Banco Sol, em parceria com o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (MIREMPT) e a Energy Capital & Power, o painel marcou um dos momentos do último dia do AOG 2026, com o financiamento do conteúdo local no centro das discussões.
Além do painel, o Banco Sol participou nos dois dias do evento com um stand dedicado à apresentação da sua proposta de valor para os sectores de energia e mineração, visitado pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino de Azevedo. Esta foi a terceira participação consecutiva do Banco Sol no AOG.












