As eleições de 2027 poderão representar um momento importante para a democracia angolana, não apenas pela disputa entre as diferentes forças políticas, mas também pelas transformações sociais, eco nómicas e tecnológicas que o país vem conhecendo.
Um dos grandes desafios dos partidos políticos será compreender, ouvir e dialogar com uma nova geração de eleitores, mais ligada às tecnologias, às redes sociais e a novas formas de comunicação.
O Instituto Nacional de Estatística estima, no II trimestre de 2026, uma população de 20.072.498 pessoas com 18 ou mais anos. Este número permite ter uma referência sobre a dimensão da população adulta do país.
Entretanto, quando olhamos especificamente para a juventude, o mesmo levanta mento estima em 8.324.709 a população entre os 15 e os 24 anos. São universos estatísticos diferentes e, por isso, os dados devem ser lidos em função do objectivo da análise.
A referência à população dos 15 aos 24 anos procura sobretudo compreender o contexto em que uma nova geração chega progressiva mente à idade a eleitoral.
Neste grupo, a taxa de desemprego atin giu 40,5% no II trimestre de 2026, revelando uma realidade socioe conómica que não pode ser igno rada no debate sobre o futuro da juventude. Estes números não devem ser vis tos apenas como estatísticas.
Por detrás deles existem jovens que procuram emprego, formação, oportunidades de empreendedorismo, acesso ao crédito e melhores condições de vida.
É precisamente aqui que os partidos políticos terão um papel importante: não apenas identificar estas preocupações, mas ouvir a juventude, compreender as suas necessidades e apresentar propostas capazes de responder, de for ma gradual e realista, aos desafios que enfrenta.
A formação profissional, o incentivo ao empreendedorismo, o acesso a oportunidades económicas, a valorização das competências digitais e a criação de melhores condições para a inserção dos jovens na economia são algumas das áreas que merecem maior atenção.
Por: VINÍCIUS VAN-DÚNEM










