Há imagens que constantemente acabam por prender a nossa visão. E quem viaja entre a zona Sul e o Centro da cidade de Luanda, passando pela via da Samba, sente-se, de algum modo, constrangido com as condições em que vivem muitos dos cidadãos que habitam perigosamente no Morro da Luz, assim como os que estão nos morros da Samba.
Há vezes em que, a partir da estrada, conseguimos divisar crianças brincando, adultos passeando. Mas quem desconhece, por vezes, as verdadeiras condições existentes no interior questiona-se sobre os perigos existentes. Quando se aproxima a época chuvosa, a preocupação de quem observa de baixo aumenta significativamente.
Acredito piamente que quem habita no morro acaba por ficar sem sono, principalmente aqueles que estão na encosta, com as casas a pequenos metros do precipício. Ao longo dos anos, muitas terão sido as pessoas que acabaram por perder a vida e inúmeros bens materiais. Ainda assim, a cada ano que passa, são visíveis construções novas.
Não só em Luanda, como em outras partes do país, como um dos exemplos mais flagrantes os morros em Benguela, onde, nos últimos tempos, têm ocorrido tragédias, principalmente na época chuvosa. Há muito que se clama por uma intervenção do Executivo, embora já o tenha feito no passado, como a deslocação dos populares que viviam nas chamadas barrocas do Miramar, na zona da Boavista.
Mas, desde esta altura, muitas outras construções ocorreram, obrigando, novamente, a uma nova operação para que se retirem as pessoas do perigo em que se encontram e da condição deplorável em que muitos habitam.
A província de Luanda, uma vez mais, prepara-se para uma operação de desalojamento dos populares que vivem nas encostas da Samba e da Boavista, segundo informações avançadas pelo próprio governador da cidade capital do país, Luís Nunes. Consta que serão construídas residências no município de Belas, onde os populares serão transferidos.
Adivinha-se uma operação semelhante à que deu origem ao conhecido Zango, no início dos anos 2000, mas, infelizmente, muitos dos antigos moradores acabaram por regressar às barrocas e em outras zonas de risco para voltarem a beneficiar de mais habitações.
Chama-se Vitrona, a nova localidade a ser erguida no município de Belas. Serão cerca de 1500 residências que poderão proporcionar um novo modus vivendi para os cidadãos.
O que se espera é que estes não se desfaçam dos imóveis para regressarem novamente às áreas de risco, como vimos acontecer num passado não muito distante.
Da parte do Executivo, a julgar pelos pronunciamentos do governador, compete fazer a sua parte, entregando as residências. Mas é importante também que não se deixe estas zonas voltarem a ser ocupadas para que, anos depois, se escutem novos clamores que depois acabarão por onerar os gastos públicos.
FILDA 2026

