Gostaria imenso que, nesta fase da vida, o Minhoca ainda fosse vivo. Infelizmente, o nosso companheiro de viagem partiu há alguns anos, segundo me foi contado pelo Pedro Cristina, um dos mais inveterados apoiantes do desporto motorizado em Angola. Um telefonema deste último fez com que, há alguns anos, visitássemos, por estrada, o antigo bastião de Jonas Savimbi, a Jamba.
Durante anos, o local era uma espécie de enigma para muitos, acreditando-se que, ainda nos dias de hoje, muitos desejem lá estar. Confesso que, apesar da curiosidade, em termos infra-estruturais, estava muito distante do que se poderia ver quando lá cheguei. Vi apenas uma residência de construção definitiva, sendo as restantes de madeira e algumas até de adobe, como as residências ao redor. Algumas pudemos visitar no período da noite.
Mas, a Jamba tem uma particularidade: está situada no bico de Angola, na zona do Luiana, numa área rica em recursos naturais, com uma fauna e flora de fazer inveja. Pudemos, por exemplo, ver elefantes transitando de um lado ao outro e aguardávamos poder ver outros animais que, depois de largos anos de guerra civil, se tinham deslocado para as vizinhas repúblicas da Zâmbia, Botswana ou até Namíbia.
As riquezas há muito que contrastavam com as condições existentes para que os turistas, particularmente, pudessem visitar a área e as receitas revertessem também para o desenvolvimento da zona, onde se diz que no futuro possam também ser vistos nos arredores investimentos no sector petrolífero.
Esta semana vimos as imagens do ministro Márcio Daniel na inauguração do Luiana Plains Safaris Expedition Camp, uma infraestrutura implantada no Parque Nacional de Luengue-Luiana, fruto de investimento estrangeiro voltado para o desenvolvimento do ecoturismo sustentável na região transfronteiriça do Okavango-Zambeze.
Acreditamos ser um dos projectos pioneiros na localidade, mas bastante significativo para os projectos em curso para a atracção de turistas, sobretudo os de aventura.
Segundo informações divulgadas numa página do governo do Cuando, o investidor Simons Micheletti, representante do consórcio Luiana Plains Safaris Expedition Camp, recordou que o investimento surgiu após uma visita técnica realizada em conjunto com a Agência Nacional para a Gestão da Região do Okavango (ANAGERO), momento em que reconheceu o elevado potencial turístico e ambiental do Parque Nacional de Luengue-Luiana.
O empresário destacou que a região alberga a maior área de conservação da biodiversidade faunística de Angola, reunindo espécies raras e condições naturais excepcionais para a vida selvagem, tendo apelado a investidores nacionais e estrangeiros para apostarem no potencial turístico do Cuando. Quem conhece a região sabe do que se diz.
Quem não conhece, aos poucos vão surgindo oportunidades para que se possa explorar um dos lugares mais bonitos do país, cuja fauna pode se constituir num motor para o desenvolvimento do país. E seria bom que o Minhoca fosse vivo para testemunhar o momento e talvez nos sugerisse regressar ao local.








