O tempo em que vive mos é o do clique, do imediato e do instantâneo. Sempre que uma página de internet demora mais do que três segundos para carregar, o batimento cardíaco de muitas pessoas, principalmente dos mais jovens, acelera e, em regra, a frustração instala-se. Diante de uma mensagem não respondida em minutos, assumimos o pior ou irritamo-nos com o silêncio.
As “boas intenções” da modernidade tecnológica passavam por dar-nos tempo e simplificar as rotinas, mas o resultado foi uma armadilha invisível: tornámo-nos reféns do imediatismo e somos incapazes de tolerar a pausa.
O mundo digital habituou-nos mal. Hoje, compramos com um toque, assistimos a vídeos de escassos segundos e consumimos informação de forma superficial e fragmentada. O grande problema surge quando tentamos aplicar essa velocidade algorítmica ao nosso quotidiano. DR A pressa das redes sociais não se traduz na mecânica da realidade humana.
Carreiras sólidas de moram anos a construir. Relações profundas exigem conversas longas e a maturidade emocional não se descarrega através de uma actualização de sistema. Esta discrepância gerou um profundo choque de mentalidades.
De um lado, estão as gerações antigas, que cresceram numa época em que o aguardo era algo natural e orgânico. Sabiam esperar semanas por uma carta, pela edição matinal do jornal ou pela hora marcada de um compromisso.
Do outro, estão os mais novos, inteiramente moldados pela omnipresença da resposta instantânea. O frenesim tecnológico reduziu a resiliência dos novos cidadãos para lidar com a lentidão intrínseca do mundo real, o que frequentemente resulta em desobediência e a falta de respeito em nome da modernidade. Esse comporta mento manifesta-se na recusa em tolerar hierarquias, burocracias, contratempos ou etapas que exigem maturação.
Por: NAZARÉ VAN-DÚNEM








