Há algum tempo temos vindo a assistir a um movimento interessante no sentido de se conferir uma maior credibilidade ao sistema de ensino superior no país. De um lado, tem estado o Ministério do Ensino Superior, por intermédio do Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior (INAAREES), e do outro as universidades públicas e privadas, também representadas por uma associação.
O processo de qualificação, criticado por uns e ovacionado por outros, percorreu várias províncias do país, avaliando universidades públicas e privadas. No teste, poucas foram as que passaram; surgiram milhares de recomendações, algumas das quais devem ser cumpridas.
A Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto tinha sido uma das que sofreram uma série de recomendações devido às condições laboratoriais precárias. Tinha sido mesmo, num dado momento, impedida de inscrever estudantes, quando instituições de ensino privadas, como a Universidade Privada de Angola (UPRA), passaram pelo teste por conta dos investimentos feitos nos cursos de saúde.
Estes são dois exemplos de casos que contaram com a rigidez do INAAREES. Em todo o país, outras universidades acabaram por ver os cursos encerrados por não possuírem o mínimo de condições, segundo os inspectores. É expectável que algumas daquelas que viram os cursos banidos estejam a esta hora a empreender esforços para retomarem em grande.
E muitas delas aguardam, piamente, por uma nova visita dos inspectores, só que agora sob uma névoa que se impõe esclarecer, devido às informações postas a circular nos últimos dias. Angola tem sido citada como tendo obtido uma pontuação de 3,6 pontos, muito abaixo da média africana no sistema de garantia da qualidade do ensino superior, o que demonstra a necessidade de um maior rigor neste sector hoje muito mercantilizado.
Por mais que se defenda a universalização do ensino superior no país, é imperioso que a questão da qualidade não seja descurada. A expectativa de se formar milhares, para que depois se extraia a qualidade, pode também acabar por minar o processo que se espera que venha a produzir bons frutos desde o início.
É expectável que, depois de um processo inicial de qualificação, observando as condições e os processos usados pelas instituições de ensino superior no país, hoje se tivesse uma pontuação que começasse já a reflectir este esforço.
Porém, a nota recebida espelha o contrário. Exige um maior rigor para que os resultados sejam diferentes a médio e longo prazo, porque a formação do homem não pode ser transformada num mero produto mercantil.








