O sonho da construção de um verdadeiro Campus Universitário para a Universidade Agostinho Neto vem de longe. Apesar dos seus anos de existência, inicialmente com instalações em várias províncias, a sua concretização ainda está por se concretizar, mesmo até depois da constituição de novas regiões académicas e do surgimento de novas universidades públicas.
Conservando desde cedo o título da principal instituição de ensino superior, sobretudo antes do aparecimento da catadupa das universidades e institutos superiores privados, hoje quase que como cogumelos, a concentração das principais unidades orgânicas da Universidade Agostinho Neto foi, durante muitos anos, o mote para que alguns reitores atingissem esta posição e outros que lá não chegaram também fizesse deste objectivo uma promessa eleitoral.
A verdade é que, até aos dias de hoje, difícil de acreditar, a Universidade Agostinho Neto continua ainda com unidades afastadas umas das outras. A construção do Campus, ao Camama, num vasto território, era há muito uma esperança de que, finalmente, havia chegado o momento certo. Nem mesmo a época dos chamados petrodólares resolveu.
Não se pode dizer que não se tenha feito absolutamente nada, porque um dos edifícios encontra-se erguido, mas a esperança era de que aquele há muito fosse acompanhado de outros que pudessem congregar algumas faculdades e os referidos serviços de apoio. A construção do hospital universitário, cujas obras vão a bom ritmo, vem, de facto, colmatar um vazio que se sente a nível do ensino da medicina ou das ciências de saúde na referida universidade.
Vai, igualmente, preencher parte do sonho que se esperava já feito do Campus da Universidade Agostinho Neto, onde ainda são esperadas outras infra-estruturas, segundo informações avançadas pelo Presidente da República, João Lourenço, numa recente visita às infra-estruturas. Um Campus Universitário é uma estrutura de fazer inveja a quem já tenha pisado numa instituição do género.
Ainda me lembro da primeira vez em que visitei o Campus da Wits, em Joanesburgo, África do Sul. Percorrer os vários departamentos, o silêncio, a organização e a sua extensão de fazer inveja, razão pela qual ainda hoje conste entre as melhores do continente africano.
Desde aquela altura, há cerca de 20 anos, que sonhava poder ver o mesmo em Angola. E uma das minhas esperanças era de que isso pudesse ocorrer através do Campus da Universidade Agostinho Neto, que possuía um terreno vasto, mas que a ambição desmedida de muitos acabou por encurtá-lo, estando, hoje, cercado de várias habitações, incluindo condomínios.
A sua conclusão poderá conferir não só maior dignidade a quem lá estuda, lecciona ou trabalha, mas também conferir um impacto na qualidade que poderá guindar a própria universidade num outro patamar, se comparada com outras que existem em Angola e no continente. Ainda vai a tempo de se salvar o Campus Universitário.
E passar da velha maquete, inúmeras vezes exibida, para um verdadeiro centro de ensino. Antes que a febre imobiliária não abocanhe o pouco que restou ao redor do único edifício concluído e das obras da instituição que hoje parecem florescer.








