Um encontro entre os líderes parlamentares do MPLA e da UNITA tornou-se notícia nos últimos dias. Em causa estava o facto de as duas organizações terem optado por acertar pontos de vista, seguramente por conta dos diplomas legais por acertar nos próximos tempos, uma vez que se avizinha mais um combate eleitoral.
Trinta e quatro anos depois da implementação do multipartidarismo no país, ainda são visíveis muitas fissuras entre os partidos políticos angolanos.
Apesar de serem adversários políticos, a realidade vai demonstrando, algumas vezes, que se está diante, em alguns casos, de verdadeiros inimigos políticos, quando a realidade impõe que, para o bem dos angolanos, é imperioso que os pontos comuns os aproximem, independentemente das convicções ideológicas. Infelizmente, os últimos tempos nos vão permitindo olhar para além daquilo que se pensava ser uma espécie de luta apenas entre aqueles que estão nos lugares cimeiros.
O PRA JA, de Abel Chivukuvuku, e o Partido Liberal, de Luís Castro, assim como outros que aspiram a uma posição significativa na oposição, a partir de 2027, também já vão sofrendo por conta deste sonho não realizado. Longe de se encontrar mais um aliado a nível da oposição, os próprios partidos correligionários são os que vão apedrejando aqueles mesmos que um dia poderão ser cooptados para propósitos comuns.
É por isso que, por mais que tentem, dificilmente se verá uma única oposição unida, à semelhança dos fracassos já observados em períodos anteriores, como atesta a nossa própria história. O excesso de desconfiança política tem minado muitos propósitos. Algumas das organizações acabam por esquecer o interesse nacional, embora seja sabido que não se ganha tudo nem se perde, claramente, tudo.
É ponto assente que a conclusão do pacote legislativo eleitoral será um dos temas que deverão merecer alguma atenção nos próximos tempos, depois de o grosso das leis já ter sido apreciado e quase concordado entre os principais partidos. Mas, se algumas formações se ativessem às propostas feitas inicialmente, sobre o gradualismo, antes de ter sido afastado, hoje já teríamos as eleições autárquicas em curso.
Basta recuar aos períodos em que as propostas surgiram e ao impasse que se vive ainda. É evidente que, em política, dificilmente existem os unanimismos, razão pela qual é mister apreciar se o que se perde com o tempo não se estará a ganhar hoje em termos de estratégia política? É por isso que, quando vejo algumas propostas, o meu cérebro remete-me para muitas que acabaram por ficar pelo caminho e que, actualmente, seriam autênticos tesouros. Será que alguém ainda se lembra da famosa Agenda de Consenso proposta pelo MPLA, depois do fim do conflito armado? Esta seria a mãe do Pacto de Estabilidade se se tivesse visto para além dos interesses meramente políticos encafuados.








