A influência da família continua presente na formação das preferências políticas de muitos jovens angolanos, mas já não determina, por si só, o sentido do voto. Uma ronda de entrevistas realizada pelo OPAÍS junto de estudantes universitários mostra uma geração mais crítica, mais informada e mais exigente, que procura avaliar propostas, programas e resultados antes de escolher quem vai governar o país. Especialistas consideram que os jovens estão cada vez menos presos às lealdades partidárias herdadas, embora persistam sentimentos de descrença nas instituições políticas e de afastamento dos processos eleitorais
Uma ronda de entrevistas realizada junto de estudantes de algumas instituições de ensino superior, em Luanda, revela uma realidade complexa.
Embora muitos jovens reconheçam a forte influência da família na definição das preferências políticas, cresce também a consciência da necessidade de um voto mais informado, baseado em programas de governação, propostas concretas e respostas aos problemas que afectam a população.
A nossa primeira paragem foi na Universidade Privada de Angola (UPRA). Ali, encontramos a jovem Alice Gonçalves, estudante de 22 anos, que está a frequentar o 1.º ano do curso de FiJoão Feliciano sioterapia.
Ela, que participou pela primeira vez nas eleições de 2022, garante que o seu voto foi resultado de uma decisão pessoal. Segundo explicou, a escolha do partido em que votou esteve ligada às promessas apresentadas ao longo da campanha eleitoral daquele ano e à expectativa de mudança.
“Votei porque acreditei que as propostas podiam ser cumpridas e que as coisas poderiam melhorar”, afirmou. Apesar disso, reconhece que muitos cidadãos continuam a seguir a orientação política dos familiares.
“Já vi vários casos em que as pessoas votam simplesmente porque os pais ou os avós apoiam determinado partido”, observou.
Para a estudante, a juventude tem uma responsabilidade acrescida na transformação do país, sobretudo por representar a maior fatia do eleitorado nacional. “Todos queremos mudanças, mas também devemos contribuir para que elas aconteçam”, defendeu.








