Um encontro entre escritores e leitores assinalou o encerramento da “Semana da Língua Portuguesa” realizada de 5 a 9 do mês em curso, no Instituto Camões, em Luanda. O encontro, que juntou três escritores de diferentes gerações e os amantes de livro no mesmo espaço, ficou ainda marcado por uma roda de conversa aberta, venda e sessão de autógrafos, exibição de um monólogo teatral, e culminou com um pequeno concerto musical
José Luís Mendonça, Júlio de Almeida e Paula Agostinho são os escritores que brindaram o público com as suas obras literárias e mantiveram uma conversa aberta com os leitores, partilhando suas experiências, visões e opiniões sobre o estado da literatura feita na língua portuguesa. Numa conversa livre e aberta, os autores falaram sobre os desafios que a literatura angolana enfrenta, a falta (ou pouco) de apoio e financiamento, o elevado custo na produção dos livros e o retorno que não é satisfatório, tendo em conta que a sociedade ainda tem um índice de leitores activos muito baixo.
Com a obra “30 Odes – pouco ou nada ortodoxas”, José Luís Mendonça fez uma imersão à poesia da antiguidade, mergulhando nas técnicas de escrita dos antigos escribas gregos para trazer poesia genuína que exalta a beleza das coisas mais simples da vida. Em sua abordagem, durante a interacção com o público, o escritor, pesquisador cultural e do cente universitário recomendou os participantes a dedicarem mais tempo à leitura, a treina rem as suas capacidades de escrita criativa e saberem olhar para um texto com olhos críticos e analítico, não apenas de forma superficial. “Leiam, leiam quantas vezes for necessário, não se cansem.
Leiam um pouco de tudo e cultivem o hábito de reflectir, da analisar e questionar a obra. Quanto mais se lê mais facilmente a pessoa ganha habilidade para a escrita literária”, defendeu.
Júlio de Almeida, por sua vez, fez-se ao encontro com a obra “Viver até ao Fim”, uma autobiografia em que o autor discorre sobre suas vivências e lembranças e através delas constrói várias histórias, misturando romance, drama e suspense. Com o público, o autor focou-se em partilhar a sua visão sobre os desafios do mercado literário angolano, apontando as evoluções e recuos, uma vez que a sua obra traz à tona memórias vividas há mais de 70 anos. Já Paula Agostinho, escritora portuguesa que experimenta o mercado literário angolano, trouxe ao encontro uma obra in titulada “A Coruja e a Baleia”.
Trata-se de um livro bilingue (português e inglês) de contos com cerca de 35 páginas, que reúne dezenas de contos e fábulas, em que a baleia e a coruja aparecem como as protagonistas. A obra foi lançada em Dezembro do ano passado, em Luanda, mas, no último fim-de-semana, foi apresentada a um público mais jovem que se mostrou interessa do em explorar o livro e se familiarizar com a escrita da também fotógrafa e criadora portuguesa. “Embora seja um livro de contos, esta obra é destinada a todas as idades, porque traz contos e fábulas muito interessantes que podem ser explorados, quer por crianças, quanto por adultos”, disse a autora.
Reflexão sobre o papel da língua portuguesa Promovido pelo Centro Cultural Camões, a “Semana da Língua Portuguesa” foi uma iniciativa enquadrada na celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa (celebrado a 5 de Maio) com o objectivo de reflectir sobre o papel desta língua na união e no intercâmbio cultural entre os diferentes países que partilham o mesmo idioma.
No Camões, o certame ficou ainda marcado com a exibição de um monólogo teatral que retratou as complexidades da língua portuguesa e sua abrangência linguística e cultural. A celebração envolveu um programa extenso e transversal que incluiu actividades artísticas, académicas e formativas à volta da língua portuguesa e das culturas que abrangem estas línguas.









