A armadilha do endividamento público constitui uma situação preocupante na qual países, especialmente os em vias de desenvolvimento, encontram-se obrigados a canalizar uma parte significativa das suas receitas públicas para honrar o serviço da dívida pública (amortizações de suas dívidas externas e, consequente, pagamento de juros), o que tanto acaba por comprometer severamente a capacidade das nações em causa de realizar investimentos com grande potencial de alavancar o seu próprio desenvolvimento económico e social quanto por afectar de forma drástica a qualidade de vida de seus cidadãos.
Quando analisada sob a perspectiva da história económica, a dívida pública revela-se como uma autêntica armadilha da qual muitas nações não conseguem escapar. Ao longo dos séculos, governos têm recorrido ao endividamento público como uma solução rápida para fazer face à cobertura tanto de déficits fiscais quanto de crises económicas e financeiras, mas o que frequentemente assistimos é a esse “remédio” a transformar-se num autêntico veneno capaz de comprometer o futuro dos países.
Um exemplo clássico e contemporâneo de transformação do “remédio” da dívida pública em um autêntico “veneno” é o caso da crise da dívida soberana da Grécia (2009), resultante de anos de empréstimos desenfreados e promessas de crescimento que nunca se concretizaram, consequência de elevados gastos públicos, crónicos déficits públicos e maquiagem dos dados fiscais.
A história grega nos ensina que a busca desenfreada por recursos, sem uma estratégia de desenvolvimento sustentável, é susceptível de gerar um profundo colapso.
Muitas vezes, a dívida pública é apresentada como uma ferramenta impulsionadora do crescimento económico (o que não deixa de ser verdadeiro), mas importa sinalizar que muitos são os casos em que a mesma se tornou/torna em um verdadeiro e insuportável “peso”, que acaba por sufocar investimentos estruturantes e estruturais (educação, saúde e infra-estrutura), uma vez que muitas vezes a sua acumulação exacerbada resulta de motivações/interesses “ocultos” por parte de indivíduos e/ou grupos de interesse, influência e pressão.
Já que as instituições bancárias e as financeiras e até mesmo governos a beneficiarem-se da perpetuação desse ciclo, ao passo que o cidadão comum arca cabalmente com as consequências.
Por: WILSON NEVES
*Economista








