Mais do que comemorar, hoje é dia de reflectir sobre os nossos actos no desempenho das nossas funções. Porque a ver dade dói: temos muitos “trabalhadores” que dão trabalho.
O que mais se vê são funcionários que passam mais tempo nas redes sociais do que a trabalhar. Ignoram o cliente, adiam o processo, matam a produtividade, porque reina a mentalidade podre: “Se vender ou não, no fim do mês o kumbu cai”. Trabalhador que não trabalha, dá trabalho.
Dá trabalho ao colega que tem de cobrir a sua preguiça; dá trabalho ao cliente que paga e não é atendido com respeito e honra… Pior ainda são os funcionários que não se doam.
Enxergam a empresa como “coisa do chefe” e esquecem-se de uma lei básica: se a empresa afunda, você afunda junto. Quando não se envolve no seu trabalho, não é o patrão que sai prejudicado. É você. Reduz a sua competência, ofusca o seu próprio brilho, mata o seu futuro.
O mundo corporativo tem memória. Sabe quem é desleixado e quem entrega. Tem de ser trabalhador proativo. Aquele que dá mais do que é de vido, que cumpre as suas tarefas com excelência e que contribui para alavancar a empresa. Porque dignidade não está no cargo. Está na entrega. Neste dia, a cogitação também tem de apontar para o outro lado da mesa: o capatrão que paga sempre tarde. Sim, capatrão mesmo. Esse acto não é normal. É crime.
O salário é o combustível mínimo da motivação. Quando você, 2 capatrão, não paga a tempo, não prejudica só o funcionário. Prejudica a família que ele alimenta, a renda que ele deve, a escola do filho que fica por pagar. Mancha a sua reputação e assassina a confiança da sua equipa. O capatrão que não paga a tempo é assassino e ladrão.
Assas sino, porque mata a esperança do trabalhador de resolver a sua vida com dignidade. Ladrão, porque rouba o esforço, o suor e o respeito de quem faz ele ganhar dinheiro.
Que todos nós, trabalhadores e patrões, reflictamos hoje sobre as nossas acções. Como frisou Max Weber em “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, o trabalho deve ser encarado como uma vocação, uma forma de servir a Deus através da excelência e da disciplina.
Ou dignificamos o trabalho, ou continuamos a celebrar um feriado vazio. O dia 1 de Maio não pode ser só churrasco. Tem de ser compromisso. A escolha é sua: vai dar trabalho a trabalhar a sério, ou vai continuar a dar trabalho?
Por: DANIEL SAKOVI
*Professor de Português e Formador de Comunicação & Oratória








