Angola, país da África Austral, apresentou índices de analfabetismo muito elevados após ter conquistado a sua independência, isto é, nos anos 1975,1976, 1978 em diante, o gráfico apontava para mais de 70% da população nacional como analfabeta. O Conflito Armado no Pós-Independência também contribuiu para essa estatística alarmante, grassou a instabilidade social e poucos tinham acesso às escolas, o que justifica muitos cidadãos adultos, com idades que rondam dos 45 a 90 anos, não saberem ler, nem escrever.
Hodierno, com a Reforma Educativa (de 2009/2010) e o cresci mento de escolas públicas, público-privadas e privadas, nomeadamente colégios, universidades, institutos superiores e médios, contribui para a inserção de crianças, adolescentes e adultos ao sistema de ensino, mas há um outro problema eminente na qual merece o nosso reparo:
(i)- A VENDA BRUTA DO ENSI NO: com o crescimento de instituições públicas e privadas, o ensino se tornou um produto de venda, quase que não se difere um estabelecimento de ensino de um estabelecimento comercial, o aluno é muitas vezes visto como cliente e o professor mero prestador de serviço, muitas vezes, o professor não pode dispor da sua autoridade e autonomia pedagógicas ou tomar um posicionamento que vai contra o aluno-cliente, sob pena de o professor ser conotado, marcado e, a posterior, per der o seu ganha-pão.
ii- POLÍTICAS FINANCEIRAS IN TERNAS ABSURDAS: as instituições, na maioria das vezes, apre sentam políticas financeiras que contrastam com a realidade viável, tal facto se verifica pelas normas exauridas pelo próprio Ministério da Educação, subida frequente de propinas, preços de uniformes, folhas de provas e outros requisitos assaz elevados, o que, pudera, não justifica a qualidade de ensino que, muitas vezes, não é das melhores.
iii- A QUEDA DO RIGOR E DA EXCELÊNCIA NA EDUCAÇÃO: na maior parte dos colégios mui to ou pouco elitizados, o rigor, a disciplina e a autoridade pedagógica do professor são nulas, mui tas vezes, com vista a não se bater de frente contra o aluno, encarre gado de educação -e a direcção da escola, pois a máxima nesses estabelecimentos é uma: “O aluno é que paga, logo, mais vale per der um professor do que o aluno cliente”.
A título dessa barafunda e decadência da qualidade educativo-formativa, muitos alunos abordam os professores sem mo dos, com desrespeito, grosseria e falta de ética, concomitantemente, muitos encarregados motivam tal indisciplina, sendo estes, mui tas vezes, a desrespeitar o professor primeiro só porque põem o papel-moeda a cada final do mês na instituição.
Em torno deste cenário triste que se vivencia hodiernamente, a excelência académica e a qualidade da educação vão sofrendo grandes baixas e adentraremos num cenário assaz crítico: a crise do ensino e da educação derivados da própria escola, assim, teremos alunos prepotentes, arrogantes, indisciplinados, como consequência de forma extensiva— a crise dos valores morais, cívicos, éticos e culturais na sociedade, pois a figura mais importante, o professor, é desvalorizado, tal desvalorização é promovida pela própria escola (direcção), encarregado de educação e pelo próprio aluno-cliente.
Por: THADÉLCIO MATEUS
*Professor de Português e Revi sor Linguístico









