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A crise significativa da qualidade e do rigor da educação, sobretudo nas instituições privadas

Jornal OPaís por Jornal OPaís
27 de Abril, 2026
Em Opinião

Angola, país da África Austral, apresentou índices de analfabetismo muito elevados após ter conquistado a sua independência, isto é, nos anos 1975,1976, 1978 em diante, o gráfico apontava para mais de 70% da população nacional como analfabeta. O Conflito Armado no Pós-Independência também contribuiu para essa estatística alarmante, grassou a instabilidade social e poucos tinham acesso às escolas, o que justifica muitos cidadãos adultos, com idades que rondam dos 45 a 90 anos, não saberem ler, nem escrever.

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Hodierno, com a Reforma Educativa (de 2009/2010) e o cresci mento de escolas públicas, público-privadas e privadas, nomeadamente colégios, universidades, institutos superiores e médios, contribui para a inserção de crianças, adolescentes e adultos ao sistema de ensino, mas há um outro problema eminente na qual merece o nosso reparo:

(i)- A VENDA BRUTA DO ENSI NO: com o crescimento de instituições públicas e privadas, o ensino se tornou um produto de venda, quase que não se difere um estabelecimento de ensino de um estabelecimento comercial, o aluno é muitas vezes visto como cliente e o professor mero prestador de serviço, muitas vezes, o professor não pode dispor da sua autoridade e autonomia pedagógicas ou tomar um posicionamento que vai contra o aluno-cliente, sob pena de o professor ser conotado, marcado e, a posterior, per der o seu ganha-pão.

ii- POLÍTICAS FINANCEIRAS IN TERNAS ABSURDAS: as instituições, na maioria das vezes, apre sentam políticas financeiras que contrastam com a realidade viável, tal facto se verifica pelas normas exauridas pelo próprio Ministério da Educação, subida frequente de propinas, preços de uniformes, folhas de provas e outros requisitos assaz elevados, o que, pudera, não justifica a qualidade de ensino que, muitas vezes, não é das melhores.

iii- A QUEDA DO RIGOR E DA EXCELÊNCIA NA EDUCAÇÃO: na maior parte dos colégios mui to ou pouco elitizados, o rigor, a disciplina e a autoridade pedagógica do professor são nulas, mui tas vezes, com vista a não se bater de frente contra o aluno, encarre gado de educação -e a direcção da escola, pois a máxima nesses estabelecimentos é uma: “O aluno é que paga, logo, mais vale per der um professor do que o aluno cliente”.

A título dessa barafunda e decadência da qualidade educativo-formativa, muitos alunos abordam os professores sem mo dos, com desrespeito, grosseria e falta de ética, concomitantemente, muitos encarregados motivam tal indisciplina, sendo estes, mui tas vezes, a desrespeitar o professor primeiro só porque põem o papel-moeda a cada final do mês na instituição.

Em torno deste cenário triste que se vivencia hodiernamente, a excelência académica e a qualidade da educação vão sofrendo grandes baixas e adentraremos num cenário assaz crítico: a crise do ensino e da educação derivados da própria escola, assim, teremos alunos prepotentes, arrogantes, indisciplinados, como consequência de forma extensiva— a crise dos valores morais, cívicos, éticos e culturais na sociedade, pois a figura mais importante, o professor, é desvalorizado, tal desvalorização é promovida pela própria escola (direcção), encarregado de educação e pelo próprio aluno-cliente.

Por: THADÉLCIO MATEUS

*Professor de Português e Revi sor Linguístico

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