A presença papal pode ter retirado de cena mediática muitos dos nossos problemas internos, mas não há como se esquecer de um, cujo rastilho deve merecer, urgentemente, uma profunda reflexão, assim como da intervenção urgente das autoridades: a Administração Geral Tributária (AGT).
Numa altura em que ainda se vive a ressaca por conta do desvio de mais de 100 mil milhões de kwanzas, num processo cuja sentença foi apresentada recentemente, continuam a surgir informações sobre novas tentativas de se esvaziar os cofres da instituição. Os condenados pelo desvio de mais de 100 mil milhões de kwanzas, alguns dos quais exibiram, em vídeos, maços de dinheiro acumulados em casa, são vistos como sortudos até mesmo pela própria sociedade.
As penas, para muitos, acabam por ser um incentivo a quem venha a prevaricar no futuro, por serem vistas como brandas, a julgar pelas quantias que estes retiram. Só assim se compreende que, enquanto alguns ainda lutam por um recurso para reverterem as penas de prisão de que foram sentenciados, outros, sem desprimor, alinham-se na ‘pole-position’ para cometer os mesmos crimes sem qualquer temor.
Foi assim no Cunene há dias, onde se descobriu um grupo que também terá prejudicado, apropriando- se de largos milhões de kwanzas provenientes dos impostos. Agora, na última semana, informações que se dizem fornecidas pela própria AGT apontam para uma nova tentativa Descrita como uma instituição em que os seus funcionários têm um ordenado e regalias superiores em relação a muitas outras ligadas ao Estado, torna- se quase que inexplicável o apetite voraz manifestado por muitos dos seus colaboradores em prejudicarem os cofres públicos.
A insistência vai levando a várias interpretações, algumas das quais ligadas ao próprio controlo interno, uma vez que, apesar dos últimos processos, se confirmou a saída dos montantes que estiveram na origem da condenação dos réus, no caso sentenciado recentemente pelo Tribunal da Comarca da Viana. Por outro lado, os processos de contratação e proveniência dos seus quadros acabam também por merecer atenção.
Às vezes, tem-se a impressão de que, mesmo sem os disputados concursos públicos que registam enchentes, em algumas instituições, os processos acabam por ser indirectos, sem se ter em conta se os perfis daqueles que vão dirigir ou pertencer a determinadas áreas-chave são os mais adequados.
Mais do que meras denúncias, até mesmo tornadas públicas pela própria direcção da instituição, é urgente que se adoptem medidas internas, sobretudo para se inverter a situação. Porque é só uma questão de tempo para sabermos de mais um novo escândalo e, como sempre, envolvendo somas astronómicas.








