Governo garante trabalhos infra-estruturais nas zonas afectadas para permitir que, perto de 20 mil pessoas, acomodadas em três centros de acolhimento, regressem à procedência. Vítimas, que perderam quase tudo, falam em recomeço de uma vida, ao mesmo tempo que continuam a apelar a apoios para lá de bens alimentares. Precisam de materiais de construção
O Governo de Benguela procedeu, já, à reabertura de algumas escolas e orientou o retorno às aulas, condicionadas por conta das cheias de 12 de Abril, que devastaram bairros, sendo os da Seta Antiga, Tchipiandalo e Massangarala os mais afectados. As autoridades já garantiram que se ocupariam da construção e reabilitação de casas. Este jornal sabe que ainda não houve nenhum passo do Governo nesse sentido, estando, por ora, a prestar apenas uma atenção especial aos diques de protecção que tinham sido rompidos pela fúria das águas.
Para quem perdeu tudo, ficando apenas com a roupa do corpo, projecta tempos difíceis, de sorte que apela à ajuda da sociedade civil e amparo institucional para poderem voltar, minimamente, ao normal. Entretanto, as vítimas lembram do destino dado aos desalojados das cheias do Lobito e Catumbela, ocorridas em 2015, e dizem que o Governo Provincial de Benguela tem o histórico de abandonar quem passa por situações dessa natureza.
Joaquim Matende, do bairro Kalomanga, refere que vai precisar de auxílio do Governo para a reconstrução da sua residência. Ele louva o facto de lhe ter sido possível recuperar documentos pessoais, de entre os quais o bilhete de identidade. Uma cidadã, que se identifica apenas por Geni, mãe de dois filhos, com idades compreendidas entre 1 e 5 anos, não se vê regressar à zona de origem, também na Kalomanga, desprovida de todos os bens. Antes de avançar para lá, ela sugere que sejam criadas as condições dignas de reassentamento, além de que tem um trauma da zona face ao horror vivido no dia 12 de Abril.
POR: Constantino Eduardo, em Benguela
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