No município do Sambizanga, em Luanda, propriamente no bairro Santo Rosa, arredores da rua do Travesso, os becos estreitos e pouco iluminados têm servido de palcos frequentes para os crimes que inquietam a população. Roubos, violações e homicídios fazem parte de uma realidade que, segundo os moradores, exige a intervenção urgente das autoridades
Eram por volta das 12 horas quando a equipa de reportagem chegou ao Sambizanga. Apesar do sol intenso, jovens e crianças ocupavam as ruas: alguns dirigiam-se às lojas, outros permaneciam nas roulotes. Chamavam atenção, no entanto, os grupos de jovens que se espalhavam pelas esquinas, becos e curvas, espaços marcados pelo cheiro a cigarro e liamba, num cenário dominado por construções improvisadas de pau-a-pique, madeira, chapas e blocos.
De semblante aparentemente tranquilo, muitos desses jovens observavam atentamente a movimentação da repórter. Entre olhares curiosos e sorrisos, não faltaram comentários amistosos, numa demonstração de um bairro que também se orgulha da sua hospitalidade, onde o banco improvisado convida à conversa e a saudação é quase obrigatória e bem recebida.
Contudo, por detrás desse ambiente aparentemente acolhedor, ecoam vozes preocupadas como as de Martinho e Beatriz, residentes locais, que apontam para uma criminalidade persistente e enraizada, que passa de geração a geração. “O bairro não mudou. A criminalidade passa de geração em geração”, afirmou Martinho, destacando que muitos dos autores dos crimes são jovens nascidos e criados na própria comunidade.
POR: Stélvia Faria
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