É necessário afirmar uma verdade incontornável: a formação académica em Língua Portuguesa, por si só, não garante o domínio efectivo da língua nem a competência oratória.
O diploma representa o fim de uma etapa formal de aprendizagem, mas não constitui prova definitiva de domínio linguístico. A competência constrói-se com prática contínua, leitura sistemática, reflexão crítica e exercício constante da oralidade e da escrita.
A realidade demonstra que muitos formados apresentam dificuldades na organização lógica do discurso, na clareza da expressão e na utilização adequada da norma-padrão. Estas fragilidades revelam a ausência de continuidade no aperfeiçoamento linguístico após a formação inicial.
A Língua Portuguesa, enquanto instrumento de pensamento e comunicação, exige disciplina permanente. Sem contacto frequente com textos de qualidade, o vocabulário empobrece, a capacidade argumentativa enfraquece e a segurança discursiva diminui.
língua é uma competência viva e dinâmica, que se desenvolve com o uso consciente e contínuo. Segundo Aristóteles, na sua obra Retórica, a eficácia do orador depende da conjugação de três elementos fundamentais: o ethos (credibilidade), o pathos (capacidade de mobilizar emoções) e o logos (força lógica do argumento).
Isto significa que o verdadeiro orador não é apenas aquele que fala, mas aquele que convence por meio da clareza, da coerência e da autoridade intelectual. Da mesma forma, Quintiliano, na obra Institutio Oratoria, defende que o orador ideal é “um homem bom, que sabe falar bem”, destacando que a competência oratória resulta de formação moral, intelectual e técnica contínua.
Esta perspectiva reforça a ideia de que a oratória é uma construção progressiva, que exige estudo e disciplina. Além disso, Cícero, na obra De Oratore, afirma que o domínio da palavra depende do conhecimento profundo, da prática constante e da capacidade de pensar com clareza.
O orador deve ser, antes de tudo, um leitor atento e um pensador rigoroso. A leitura desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da competência linguística, pois amplia o vocabulário, fortalece a capacidade argumentativa e melhora a organização do pensamento. Sem leitura, não há profundidade; sem prática, não há segurança; sem disciplina, não há excelência. Neste sentido, torna-se evidente que o título académico não define, por si só, a qualidade do orador.
A verdadeira autoridade linguística manifestase no uso correcto da língua, na clareza da expressão e na consistência do pensamento. A Língua Portuguesa revela, de forma inevitável, o nível de preparação de cada indivíduo, pois os erros e as limitações tornam-se visíveis no discurso.
Por essa razão, os formados devem assumir a responsabilidade de manter um compromisso permanente com o aperfeiçoamento linguístico. A formação é apenas o ponto de partida; a excelência constrói-se com dedicação contínua, prática consciente e compromisso com o rigor.
Por: MARCOS DALA
Formador e Professor








