Pés descalços, blusa rasgada, com o rosto banhado de lágrimas, tão logo chegou às pressas, a pequena Bibi atirou-se ao colo da mana Sany, que por pouco caia, se não fosse segurada pelo Joca, que a agarrou no momento em que desiquilibrou com o peso da menina. <>, disse, insistentemente, a mana Sany à sobrinha que nem sequer conseguia contar a briga entre os pais em casa.
<<É o Ti-Bate Nu, o Ti-Bate Nu, o Ti-Bate Nu, o Ti-Bate Nu>>, tentava explicar à criança, que quase perdia o fôlego devido ao medo, insegurança e o cansaço do longo percurso que fez a correr de casa, que fica na rua dos Bodegas, até à rua dos Boiados, aonde vivia mana Sany. <>, frisou a Mana Sany, que de seguida deixou a Bibi com os outros meninos no quintal, amarrou o pano na cintura, endireitou o lenço na cabeça e pôsse a correr em direção a casa da sua irmã Teresinha, na companhia do Joca, que devido às pressas saiu sem abotoar a camisa que tinha no corpo.
<>, aconselhava o Joca enquanto caminhavam. Ao longo da caminhada, os dois iam falando da vida dura que a Teresinha levava ao lado do Bate Nu, homem que escolheu para viver há mais de vinte anos. <<Mas eu não sei o que ela insiste nesse teu cunhado aí. Ele já é um cambuta rijo, ao e invés de valoizar a mulher que Deus lhe deu, ainda fica a bater assim na senhora, tipo é batuque>>, lamentou o Joca, que, de seguida, tirou o lenço branco do bolso e limpou o suor que se apoderava do seu rosto ao meio daquele sol abrasador das 12horas. <>, acrescentou a mana Sany. <>, continuou o Joca, que sempre alertava para os perigos na atitude violenta do Bate Nu, que media apenas um metro de altura, caenche, escuro e bastante bruto.
Ele batia todos os dias na Teresinha, à época, com 38 anos de idade, clarinha, um metro e 60 de altura, cabelos longos e bastante inteligente. Os dois se conheceram quando ela tinha ainda 18 anos de idade e juntos eram colegas na escola da Pinguirita. Bate Nu, naquela altura, já treinava judoca. E protegia ela de todos os miúdos que a abusavam de mulata-cangamassa. Sempre que batia nos miúdos insurrectos, ele tirava a roupa, daí o nome ter ficado de Bate Nu. Mas, depois de conquistar o coração da Teresinha, Bate Nu revelou-se num marido ciumento e bastante agressivo. Cercava ela de todos e tudo. Ninguém poderia olhar para ela que já era motivo para confusão entre o casal que muitas vezes terminava em ferimentos.
E aquele dia foi mais um daqueles que o Bate Nu espancou a Teresinha até causar-lhe a morte. Quando a mana Sany chegou em casa já ele havia fugido para um local incerto. Apenas o copo de Teresinha estava deitado ao lado da porta da sala, completamente ensanguentada e sem sinais vitais. Ao ver o corpo da única irmã sem vida, mana Sany teve logo uma queda de tensão e foi imediatamente transportada para o hospital no carro do vizinho Januário, que muitas vezes já acudiu a briga entre o Bate Nu e a Teresinha. <<Nós também as mulheres as vezes não sei o que se passa nas nossas cabeças.
Sempre lhe falávamos para deixar esse moço, mas a vizinha Teresinha não nos escutava. Agora vê só, perdeu a vida mesmo só numa brincadeira por causa da burrice de achar que ele devia mudar um dia>> <<É verdade. Eu, agora, esses dias, se o Zeca me tocar vou arrumar as minhas coisas vou ir embora no Sucupira, em casa da minha mãe. Estás a ver a outra que insistiu hoje estamos a lhe chorar.
Agora vamos abrir os olhos e não aceitar mais nem já uma chapada dos maridos>>, comentavam nos cantos as vizinhas Kiquinha e Bibiana, enquanto olhavam fixamente para o corpo da Teresinha, coberto com um lenço branco, enquanto aguardavam pela chegada da polícia.
Jornalista







