Soberania não é uma palavra grande para caber em discursos pequenos. É, no fundo, a arte — e a responsabilidade — de decidir por conta própria. É quando um país não pede licença para ser quem é. É quando o destino não vem com instruções importadas. Soberania é, em poucas sílabas, independência com consciência. Mas há coisas que não chegam com bandeiras, nem com hinos.
Chegam devagar. Discretas. Quase simpáticas. E, quando da mos conta, já não estão a bater à porta — já trocaram a fechadura. Em Luanda, essa conversa deixou de ser teoria e passou a ser paisagem.
Nos bairros Palanca, Mártires, Mabor, Hoji-ya-Henda, e até nas centralidades mais recentes, há uma mudança que não precisa de estatística para ser percebida — basta caminhar.
Nomes mu dam. Hábitos mudam. Relações mudam. O que antes era “Maria” agora responde por “Miriam”. O que era “Nginga” vira “Kadija”. Não é só uma troca de nomes — é uma troca de referências. E referência, quando se perde, não se importa… importa-se. Não se trata de rejeitar o outro.
Por: EMÍLIO JOSÉ









