Um ano depois da morte dos dois seminaristas da Arquidiocese do Lubango, ocorrida a 7 de Fevereiro do ano passado no bairro Dack Doy (Calumbiro), arredores da capital Huíla, a Procuradoria-Geral da República nesta província garantiu em entrevista exclusiva ao OPAÍS que o esclarecimento do caso está para breve
Depois do grito por socorro apresentado pelos familiares, um ano depois da morte de José Filipe Cacoco Diliqui e David Sandambongo Lundemba, ao jornal OPAÍS e à Rádio Mais/Huíla, a PGR garante que o processo está mais próximo de ser esclarecido.
A informação foi prestada, ontem, pelo Subprocurador-Geral da República Titular na Província da Huíla, Nilton Muaka, tendo dito que, depois da morte dos dois seminaristas que frequentavam o curso de Teologia no Seminário Maior do Jaú, foi aberto um processo-crime sob o n.º 7940-45HLA, que indicava como suspeitas dois cidadãos nacionais, sendo um padre identificado apenas por Camilo e um funcionário de uma das unidades hoteleiras com que estiveram os malogrados no dia da sua morte.
“O processo teve o seu andamento, naquela altura, foram detidas algumas pessoas suspeitas, e não mais do que isso, porque alguns dos indícios levaram a que se julgassem suspeitas, foram ouvidas na altura e foram soltas porque os indícios eram muito fracos”, considerou.
O magistrado do Ministério Público reconhece que a família e a sociedade, em geral, aguardam por esclarecimentos sustentáveis, tendo por isso informado que a Polícia ligada aos serviços de investigação criminal tem estado a trabalhar de forma afincada para a recolha de elementos probatórios possíveis que conduzam à imputação clara e objectiva a quem julgar-se culpado.
“Nessa altura, o processo encontra-se em instrução preparatória, em estado avançado, diga-se, e acreditamos que nos próximos tempos, com certeza absoluta, teremos novidades mais claras, mais concisas sobre o estado desse processo”, garantiu.
O pedido dos familiares Os familiares de José Filipe Cacoco Diliqui e David Sandambongo Lundemba, a data dos factos com 25 anos de idade, continuam a aguardar pelo desfecho deste processo, depois de terem terminado a fase de luto, de acordo com a tradição africana.
Francisco Diliqui, irmão mais novo de José Filipe Cacoco Diliqui, uma das vítimas mortais, disse em entrevista a este jornal e à Rádio Mais/Huíla que, depois de um ano da morte do seu irmão, só espera que o mesmo seja esclarecido, para atenuar a dor da perda.
“É sabido que eles já não voltam à vida, mas, se o caso tivesse um desfecho da forma mais justa e os culpados encontrados e pagassem de acordo com a lei dos homens, seria para nós uma forma de amenizar a nossa dor”, disse.
Quem também clama pela efectivação da justiça pela morte dos dois seminaristas é Carla Diliqui, irmã mais velha de José Filipe Cacoco Diliqui, que sempre acolheu o seu irmão em épocas de férias lectivas, até ao dia da sua morte.
“É difícil superar uma fase destas, mas uma notícia sobre o esclarecimento do caso em que foram vítimas os meus irmãos seria como que um alívio para nós e, sobretudo, para o país que alimentou o sonho de levar os seus filhos à ordenação sacerdotal. Por isso, queremos que a justiça seja feita”, apelou.
Por: João Katombela, na Huíla








