O embaixador da Ucrânia em Angola, Andrii Kasianov, afirmou nesta Terça-feira, 24, em Luanda, que a Rússia mantém uma estratégia deliberada de “esgotamento, intimidação e chantagem” contra a população civil ucraniana, quatro anos após o início da invasão em grande escala lançada a 24 de Fevereiro de 2022
A falar na cerimónia evocativa realizada na Embaixada da Ucrânia, Andrii Kasianov sustentou que Moscovo “nunca alcançou estrategicamente os seus objectivos”, mas tem estado a intensificar os ataques contra as infra-estruturas energéticas e críticas, numa guerra que, segundo o diplomata, já provocou a morte a pelo menos 16.784 civis, entre os quais 684 crianças, e mais de 40 mil feridos.
Ademais, acrescentou que, até ao momento, já foram totalmente destruídas 408 instituições de ensino e outras mais de 4.400 ficaram danificadas. “O restabelecimento da integridade territorial da Ucrânia não admite alternativas. A paz não pode assentar nas concessões ao agressor”, declarou, ao mesmo tempo em que defendeu o reforço das sanções económicas, sobretudo nos sectores energético, financeiro e tecnológico.
Defesa e sanções
O diplomata sublinhou que apoiar a capacidade defensiva de Kiev representa, por si só, “um investimento na segurança da Europa”, tendo defendido o reforço da defesa antiaérea e a produção conjunta de equipamentos militares. Ao citar o Comandante-em-Chefe das Forças Armadas ucranianas, afirmou que as tropas já recuperaram quase 400 quilómetros quadrados de território e oito localidades na zona Sul.
Kasianov considerou que a agressão russa constitui um desafio directo aos princípios da ONU e advertiu que a não responsabilização criaria “um precedente perigoso” para a ordem internacional. Outrossim, o embaixador agradeceu o apoio de Angola e do Presidente João Lourenço, ao destacar a posição “clara e consistente” da defesa da soberania e integridade territorial da Ucrânia.
União Europeia reafirma solidariedade
Estiveram presentes na cerimónia os embaixadores da Espanha, Portugal, França, Itália, da Zâmbia, um representante da Embaixada dos EUA, entre outras individualidades. Na ocasião, o embaixador de Espanha em Angola, Manuel Lejarreta, reiterou o compromisso europeu com Kiev, ao que disse tratarse de uma guerra que não beneficia ninguém. “Deve parar imediatamente”, afirmou, acrescentando que os parceiros da União Europeia continuam unidos na defesa de “uma Ucrânia livre e democrática”.
Questionado sobre o impasse nas negociações e sobre as dificuldades na aprovação de novos pacotes de sanções, admitiu que o processo é complexo, mas defendeu a manutenção da pressão sobre Moscovo para o alcance de “uma paz justa e duradoura”. Também o recém-chegado embaixador de Portugal em Angola, Nuno Mathias, reafirmou o apoio político, humanitário, financeiro e militar de Lisboa à Ucrânia, ao classificar como “inequívoca” a posição portuguesa desde o início da invasão.
África pede diálogo e paz
Por sua vez, o embaixador da Zâmbia em Angola, Elias Muncha, destacou a aposta africana no diálogo e na mediação, recordando a iniciativa do Presidente Hakainde Hichilema, que visitou Kiev e Moscovo no início do conflito. Segundo o diplomata, a posição africana converge na defesa da paz e do desenvolvimento conjunto. “Quando as pessoas vivem em paz, é mais fácil prosperar e crescer”, afirmou, sustentando que o conflito na Europa tem implicações globais.







