Quando o Presidente João Lourenço assumiu, em Fevereiro de 2025, a Presidência “pro tempore” da União Africana, não assumiu apenas um cargo rotativo. Assumiu um símbolo. O símbolo de um país que deixou de ser visto apenas pelo prisma do seu passado de conflito e passou a afirmar-se como promotor activo da estabilidade, da diplomacia preventiva e da concertação continental. De modo, que não é tempo de diminuir o feito, mas sim momento de compreender o seu significado histórico, para as gerações de hoje, bem como aquelas que vão herdar o futuro do continente berço da humanidade.
As críticas existem — e numa sociedade democrática elas são legítimas. Contudo, há momentos na história de uma nação, em que o inte- resse colectivo e o sentido patriótico deve falar mais alto do que ruídos partidários. A liderança de Angola na União Africana é um desses momentos. O país não foi um simpático espectador, fazendo discursos protocolares da praxes ou tirando fotografias de famílias pom- posas. Angola foi mais do que isso. Foi um preponderante protagonista.
E sejamos claros: feito conquis- tado por mérito próprio. Por isso permita-me que diga em voz alta e bom tom: a Presidência de Angola na União Africana foi a todos níveis uma conquista institucional que transcende indivíduos e se inscreve na afirmação estratégica do Estado angolano no palco africano e internacional. Num continente ainda marcado por focos de instabilidade, terrorismo e disputas políticas, Angola tem projectado uma diplomacia serena, baseada no diálogo e na mediação.
Angola, que conhece na pele o custo da guerra, fala com autoridade moral quando defende uma África mais pacífica. A experiência acumulada na reconstrução nacional tornou-se activo político e diplomático. Hoje, Angola não é apenas beneficiária da paz; é promotora dela. A Presidência angolana na União Africana reforça igualmente o ideal do pan-africanismo — não como retórica vazia, mas como compromisso concreto com a integração económica, a livre circulação, a cooperação em matéria de segurança e a valorização das instituições africanas. Uma África mais respeitada no concerto das nações começa por uma África que acredita em si mesma.
E Angola, ao assumir responsabilidades continentais, está a dizer que acredita. É também inegável que a imagem institucional do país saiu fortalecida. O protagonismo diplomático empreendido pelo Presidente João Lourenço trouxe visibilidade positiva, ampliou canais de diálogo com parceiros estratégicos e consolidou Angola como interlocutor credível em matérias sensíveis. Quando Angola preside à União Africana, é a bandeira nacional que se eleva, é o nome do país que ecoa nas cimeiras, é a nossa história colectiva que ganha nova dimensão.
O pan-africanismo sempre foi um ideal de libertação e dignidade. Hoje, ele exige maturidade política, unidade estratégica e visão de futuro. A liderança angolana na União Africana foi um passo incontornável nesta direcção. Mais do que um mandato, foi uma oportunidade histórica de mostrar que Angola não é apenas parte da África que sonha — é parte da África que constrói.
E, independentemente das divergências internas, há um ponto que deve unir-nos: quando Angola assume responsabilidades continentais, cresce a responsabilidade de cada angolano em defender a imagem, a estabilidade e a grandeza da Nação. Porque uma Angola mais forte na África é, inevitavelmente, uma África mais forte no mundo.
POR: NZONGO BERNARDO DOS SANTOS









