Numa conversa descontraída, o historiador Cornélio Caley falou de um dos grandes momentos da história política angolana na era colonial. O 4 de Fevereiro de 1961, tido como o início da luta armada de libertação nacional, dia em que os nacionalistas pegaram em armas, catanas, para libertarem os seus compatriotas nas cadeias da cidade de Luanda, período em que o então regime de Salazar, a partir de Portugal, sentiu a fúria dos filhos da pátria, Angola, cuja Independência conquistou no dia 11 de Novembro de 1975. O também professor universitário, Cornélio Caley, entre outros assuntos, adiantou ao jornal OPAÍS que o 4 de Fevereiro, assinalado nesta Quarta-feira, deve perpetuar-se na memória de todos os angolanos como sinónimo de desenvolvimento em todas as esferas da vida pública e privada
Que significado histórico tem o 4 de Fevereiro?
O 4 de Fevereiro de 1961, ataque às cadeias em Luanda, tem de ser considerado a data de início da luta armada de libertação nacional contra o regime colonial português. É assim que esta data tem de ser considerada, conhecida e ensinada: data de início da luta armada de libertação nacional de Angola.
Hoje por hoje, a geração de 2000 quase nada sabe sobre o 4 de Fevereiro. O que estará a faltar?
Nada estará a faltar! O que podemos dizer é que talvez falte alguma acutilância, uma maior exigência das disciplinas escolares, a partir das classes primárias, no sentido de terem conteúdos obrigatórios para conhecer datas como esta. Os professores devem ensinar com profundidade à nova geração que o 4 de Fevereiro é a data nacional da luta armada de libertação nacional.
E os manuais escolares existentes?
Às vezes, temos o défice de colocar sobre a mesa o que é nosso para nos envolvermos. Não é só com a História. Temos défice em assimilar o que é nosso, ou melhor ainda, em dar valor ao que é nosso. Não me refiro apenas à data do 4 de Fevereiro. Significa que não temos tido capacidade de dar valor ao que é nosso. E isto temos de dizer!
Insistindo na pergunta, tem havido pouca entrega?
Falta apenas a nossa dedicação, a nossa entrega. Repare-se que, para se chegar até ao 4 de Fevereiro, fez-se muito. Há jovens que, à época, perderam a vida; é preciso lembrar isso! É preciso continuar a construir a memória do 4 de Fevereiro e conhecê-la para servir como fonte de inspiração. Isto é tarefa de todos. Não é só tarefa do Estado. É tarefa de cada um de nós.
É ou não importante olhar para o passado?
Olhar para o passado, ver o que fomos, por que tombaram; no entanto, é isso que devemos explicar às próximas gerações. Não nos falta nada. Já disse várias vezes: não vamos culpar os jovens. Vamos encontrar caminhos. Tivemos também um conflito armado em que a juventude, infelizmente, ficou deslocada dos locais de nascença. Alguns perderam os pais, outros nem sequer têm memória do sítio onde nasceram. Quando falta tranquilidade na mente da juventude, que é a nossa força motriz, temos de fazer tudo por tudo para os colocar na rota de pensar o passado, assim como também de construir o futuro. Temos de fazer com que a juventude, de facto, sinta que é o momento deles também procurarem maneiras de fazer com que a sociedade vá para a frente. Os jovens não vão, diríamos assim, arrancar o sonho dos mais velhos, como eu. Estamos a falar de 4 de Fevereiro: sonhou-se com um país feliz e independente, e é independente. Agora, o sonho de levar a felicidade ao nosso povo também é vosso. Isso vocês têm de fazer, porque agora têm a possibilidade, por exemplo, de circularem facilmente em todo o país. E o vosso jornal chama- se OPAÍS! Risos… Vocês também é que devem fazer com que o 4 de Fevereiro chegue a todos os cantos do país. Não sei se já chegaram até Cazombo, Cunene e outros pontos de Angola. Não sei se já chegaram até onde nasci. Tanto quanto o 11 de Novembro, o 4 de Fevereiro também! Possivelmente, só as formigas é que não sabem que o 11 de Novembro é o dia em que nos tornámos independentes. Quando chega o 11 de Novembro, toda a gente sabe. O 4 de Fevereiro também tem de ser assim.
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