A esta hora, o governador Adriano Mendes de Carvalho terá perdido muita gente do círculo que sempre integrou. Desde que, nas funções de governador do Zaire, denunciou as envolvências do referido fenómeno, o político foi visto por muitos como um destemido, mas por outros como alguém que tenha procurado romper com um sistema que parecia normal.
Desde então, após as denúncias feitas diante do Presidente da República, esperava-se que, no mínimo, se pudesse trazer à liça alguns dos implicados no processo. Estamos lembrados de ter ouvido de altos funcionários de Estado, incluindo oficiais generais da Casa de Segurança de que havia muitos oficiais superiores, na Polícia e nas Forças Armadas, ligados ao processo de contrabando.
Em determinados momentos, pese embora os resultados que se queiram apresentar, a expectativa apontava para o facto de que depois das investigações se viesse a saber se havia ou não envolvimento de oficiais. Seja das FAA como da Polícia Nacional. Vários meses depois, enquanto alguns estivessem ficado pelo suspense, não se vislumbram nomes nem tão pouco a concretização das suspeitas que eram susceptíveis de merecerem uma maior e melhor atenção.
Sobretudo depois de, nos principais canais informativos, televisivos ou radiofónicos, se terem visto e ouvido comentários em relação ao suposto contrabando de combustíveis, cujos responsáveis parecem não existir. Segundo informações avançadas ontem, ‘o combate ao tráfico de combustíveis registou uma baixa de 70 por cento, em 2025, graças ao reforço das acções pelas forças de Defesa e Segurança, resultando na recuperação, até ao ano passado, de bens envolvidos e mais de 7 milhões de litros de combustíveis, avaliados em mais de 5 mil milhões de kwanzas”.
As operações foram realizadas em todo o território nacional, segundo o ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, Francisco Furtado, que avançou a informação em declarações à Rádio Nacional de Angola (RNA). “Terminamos o ano de 2025 com a apreensão de mais de 7 milhões de litros de combustíveis, principalmente gasolina e gasóleo. Portanto, dos produtos recuperados em todo o país, estamos a falar em valores acima de 5 mil milhões de kwanzas”, declarou.
As informações avançadas pelo Jornal de Angola, por exemplo, apontam que a Comissão Técnica Multissectorial para a Identificação da Matéria de Crime nos Processos de Contrabando de Produtos Petrolíferos (CT-IMC-CPP) refere, no relatório do primeiro trimestre do ano passado, que, dos 868 processos em instrução preparatória,11foramjáencaminhadosparaostribunais.
De igual modo, o documento resultou de visitas de constatação, realizadas entre Março e Abril de 2025, às províncias do Zaire, Cabinda, Lunda-Norte, Lunda- Sul, Cunene e Moxico, onde as missões, que contaram com o apoio da Força Aérea Nacional e dos governos provinciais, observaram reuniões com autoridades locais, visitas a armazéns de apreensão de bens e auscultação à população e operadores licenciados.
As evidências apontam para a existência de uma rede que actuava entre Angola, RDC e Zâmbia. Porém, os seus líderes parecem ter passado à margem do processo, ou seja, talvez daqui a algum tempo se saiba como centenas de milhares de litros de combustível chegam às fronteiras, apesar dos inúmeros postos de controlo existentes para se evitar a inviolabilidade do território angolano.









