Era de madrugada, quando o Tipaizinho, o único militar que tínhamos no bairro, cruzava a rua. O cheiro de bolo queimado, feito no carvão, em forma velha, escura de tanto queimar, já não pairava no ar porque o Natal chegava ao fim. Também os miúdos, que organizavam a pausada, com pneus velhos, troncos de pau, fita e pintura com cal, já não estavam na rua que parecia um deserto.
O único som que se ouvia era do radio à pilha que saía do quintal do Kota Lam bito, que não cansava de ouvir os Ndengues do Kota Duro. Por isso é que levamos tempo para perceber se a forma como o Tipaizinho andava, com as pernas trocadas, era mesmo da bebedeira ou estava a dançar a música que saia do quintal do Kota Lambito.
Mas depois de percebermos que apenas um pé tinha bota, a farda estava completamente virada e sem a boina na cabeça, é que chegamos a conclusão que o Tipaizinho teria problemas com a sua amada esposa, Tia Filó, com quem estava casado há 25 anos.
Era evidente que não saía da unidade, conforme havia despedido em ca saque estaria aquartelado de prevenção. A forma como estava desarruma do, percebia-se que saía da farra.
Só que ninguém sabia de onde concretamente; se estava com a Joana da Rua da Chapada ou com a Teresa da Cacimba aonde quase perdeu a vida noutro dia depois de ter sido encontrado pelo pai dos filhos dela. Bem que o Chakinú, o amigo dele de dedo e unha, sempre avisava que na casa da amante não é para dormir se não for você que paga a renda.
Mas ele insistia até que naquele fatídico dia por pouco seria morto senão pulasse pela janela que dava acesso à rua principal. O espanto e a corrida foi tanto que ele, inclusive, acabou por esquecer a pistola. Até hoje na uni dade ninguém sabe que por causa dessa greguisse o Tipaizinho per deu a arma.









