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A famosa frase “bate isso na parede”: o verdadeiro kinzombismo que ecoa em Luanda

Jornal OPaís por Jornal OPaís
24 de Dezembro, 2025
Em Opinião

Sem medo de errar, a maioria dos jovens residentes em Luanda já ouviu a frase: “último salário do mês não é para se organizar, bate isso na parede”! Hoje por hoje, esta frase é a febre, é o hit que ecoa nos becos, nas paragens, nos bares, nas escolas, nos grupos de WhatsApp, nos TikToks e, inclusive, nas reuniões “sérias”. Não é de admirar que seja, de facto, o verdadeiro KINZOMBISMO — aquele estado em que o povo pega uma expressão, exagera, viraliza e transforma em cultura temporária. Talvez já tenhas ouvido ou lido a frase mais icónica do mês de Dezembro.

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Talvez tenhas até usado sem saber a origem ou o peso cómico que carrega. Porque sim, “bate isso na parede” já não é só uma frase: virou resposta, virou provocação, virou piada pronta. Se não há descanso para os ímpios, quanto mais para o salário do último mês do ano? A ideia é clara: bater isso na parede. Tenta justificar o injustificável? Bate isso na parede. Está nervoso? Bate isso também! Assim está a juventude da minha banda.

Tudo por nada, mesmo que tiver apenas alguns tostões de kwanzas, a frase é clara: bate isso na parede! Bem, cada um é livre de gastar o seu dinheiro. Porém, seria bom nos lembrar que o mês da fome está a espreitar. Claramente, podemos desfrutar, mas com maior cuidado. Ser econômico o suficiente, saber gerir os fundos nesta fase será de grande ajuda. Antes de entrar no modo “bater isso na parede”, faça um planeamento claro.

Liste todos os gastos previstos para dezembro: roupas, alimentação, passeios. Depois,
faça outra lista com os compromissos de janeiro: escola, transportes, água, luz, alimentação, saúde. Verifique se o teu rendimento cobre tudo isso. Se não, é preciso cortar ou adiar despesas não urgentes. Tome nota:

1. Evita viver como se houvesse dois salários.

2. Cuidado com o impulso do consumo.

As promoções de fim de ano são tentadoras, mas nem tudo que está “em desconto” vale a pena. Evita compras por impulso. Pergunta sempre: “preciso mesmo disso ou só estou empolgado(a)?” Dezembro é cheio de estímulos emocionais, mas o dinheiro continua a obedecer à matemática, não à emoção.

3. Define um limite para os gastos;

4. Compre apenas o necessário;

5. Evite gastos desnecessários;

6. Poupança de emergência;

Se conseguires, guarda parte do que receberes em dezembro para cobrir as despesas de janeiro. Cria um pequeno fundo de emergência. É melhor ter e não precisar, do que precisar e não ter.

7. Evita dívidas desnecessárias; Não recorras a crédito para pagar caprichos. Os juros são traiçoeiros e janeiro não perdoa. Pagar um capricho de dezembro em prestações até março é prolongar o sufoco. Vive dentro do que o teu bolso permite.

No entanto, cada um é livre de “bater o sálario na parede”. Portanto, a forma como se gasta em dezembro pode determinar como será todo o primeiro trimestre do próximo ano. Por isso, a transição entre esses dois meses deve ser feita com consciência, equilíbrio e foco nos objectivos a médio prazo.

Ser responsável financeiramente não é “mão de vaca”, é ser visionário. Afinal, começar o ano com tranquilidade, contas em dia e cabeça leve é o verdadeiro presente!

Por: LUTINA SANTOS

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