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Ensinar, aprender, o que é?

Jornal OPaís por Jornal OPaís
21 de Novembro, 2025
Em Opinião

Aprender e ensinar são dois processos naturais da existência humana, dons e heranças cuja a pertença ninguém dela jamais poderá fugir. Para Fernández (1998), o processo de ensino-aprendizagem embora agregados à existência humana, tem sido historicamente caracterizado de muitas formas e maneiras, sendo muito difícil, portanto, resumi-la a um único conceito. Deste modo, é lógico que não seja possível categorizarmos seu conceito em uma visão conceptualista unitária.

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Assim, Freitas (s/d) propõe que, tal como os Behavionistas sugerem, se queremos conceber uma melhor compreensão deste fenómemo, precisamos antecipadamente ter como referencial “a própria definição do que é ensinar e aprender.” Para Libâneo (1994), o ensino é um processo em que se tem em vista a potencialização do outro por meio de um conjunto de métodos e técnicas específicas realizadas por um tutor.

Ensinar “é a actividade que tem por finalidade que o outro obtenha o conhecimento.” (Freitas, s/d). Deste modo, no que se vê, o processo de ensino não é um que se resume a uma mera transmissão de informações, mas um em que, por meio de técnicas e métodos prémeditados, visa potencializar o outro.

Assim, é precisamente descrita a diferenciação existente entre um professor e um jornalista, sendo que o último tem por propósito e missão a tarefa de transmitir informações claras e explícitas, que chegam nitidamente aos ouvidos do receptor, com a finalidade de lhe manter actualizado sobre determinados factos ou acontecimentos.

Por outro lado, a missão do docente seria explícitamente a de potencializar o receptor – aluno – pelo emprego de um conjunto de métodos. É daí que, para Freitas (s/d), o professor deve ter plena noção de seu papel como mediador dos alunos.

Ou seja, ele seria uma espécie de canal ou ponte de passagem entre o conhecimento e o aluno. Deste modo, importa aferir que enquanto este mecanismo (passagem do conhecimento) não acontecer, não estaria ainda concluído o processo de ensino, daí que Freitas (s/d) argumenta que: O acto de ensinar não pode ser percebido como algo mecânico e, portanto que não necessita de reajustes constantes, a forma de ensinar, os meios utilizados, e a forma de avaliação devem passar por um processo que permita que a aprendizagem seja realmente alcançada. (Freitas, s/d, pág. 1).

Considerando assim, fica claro que a ênfase neste processo recai sobre o aluno, e não sobre o docente, visto que o professor enquanto mediador é obrigado a criar um conjunto de condicionantes práticas – técnicas – que se adequem ao seu aluno e possibilitem o aprendizado. Neste caso, o que seria aprender? O processo de aprendizagem seria a aquisição e modificação relativamente permanente na compreensão, conhecimentos, habilidades, atitudes, informação e competências, através da experiência.

Assim, a aprendizagem pode ser avaliada com base no que os alunos dizem, escrevem, fazem e envolve mudança no comportamento (Martinez, 2013). Deste modo, é possível ver que o processo de aprendizagem está maioritariamente ligada à modificação e transformação do homem.

Compreende mais do que a memorização, a habilitação do aluno, o que ele faz, ou torna-se capaz de fazer com aquilo que recebe. É assim que, para Fernández (1998), se analisarmos a situação atual da prática educativa em nossas escolas, identificaremos problemas, por exemplo, a grande ênfase dada a memorização, pouca preocupação com o desenvolvimento de habilidades para reflexão crítica e auto-crítica dos conhecimentos que se aprendem.

Adiante, o processo de transformação ou aperfeiçoamento deste ser, que é o aluno, deve ser centralizado nele, e não em seu mediador – o professor. Daí que Fernandez reforça em crítica que na situação atual da prática educativa em nossas escolas, infelizmente, “as acções ainda são centradas nos professores que determinam o quê e como deve ser aprendido e a separação entre educação e instrução.”Fernández (1998).

Portanto, embora LIBÂNEO (1994) possa considerar o aprender como “o processo de assimilação de qualquer forma de conhecimento” , não podemos resumir essa assimilação como mera teorização de informações, mas sim, como aponta Freitas (s/d), a “todo um processo de assimilação onde o aluno, com a orientação do professor, passa a compreender, reflectir e aplicar os conhecimentos que foram obtidos.” Enfim, é precisamente isso que seria ensinar e aprender.

Por: Sampaio Herculano

Historiador

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