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Quando o sonho termina, começa o trabalho

Jornal OPaís por Jornal OPaís
17 de Outubro, 2025
Em Opinião

Chegou ao fim mais um capítulo da caminhada dos Palancas Negras rumo ao sonho mundialista. Vinte anos depois da epopeia de 2006, Angola voltou a acreditar. A Nação uniu-se em torno do futebol, vibrou, sofreu e, no fim, ficou com aquele silêncio carregado de “e se…”. Não deu — mas é precisamente aí que começa a próxima etapa.

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Agora que a poeira baixou e os reflectores se apagam, é tempo de reflexão, não de lamentos. O futebol angolano precisa de deixar de viver apenas do imediatismo. Sonhar com um Mundial não é proibido, mas só se constrói uma selecção competitiva com trabalho sério, visão estratégica e um plano a longo prazo. A Federação deve ser a primeira a dar o sinal: planeamento, transparência e apoio técnico constante.

O treinador, seja quem for, precisa de tempo e estabilidade para moldar uma equipa. E os jogadores, de comprometimento total — não apenas nas semanas de jogos, mas durante todo o ciclo competitivo.

O segredo do sucesso? A união. Nenhum golo nasce de um só pé, nenhuma vitória vem de um só futebolista. É a entrega colectiva que transforma qualquer talento em triunfo.

E quando essa união se tornar inegociável, o sonho voltará a ser possível — não como um milagre, mas como consequência. O futebol é generoso com quem trabalha de forma honesta.

A história já mostrou que é possível: em 2006 fomos, mas só se compreendermos que o verdadeiro jogo começa agora — nas reuniões de planificação, no compromisso diário de cada parte envolvida.

A Selecção Nacional precisa de um leque mais vasto de opções, com atletas escolhidos não apenas pelo nome ou pelo histórico, mas pelo momento, pela forma física e pelo compromisso com a equipa.

O olhar deve voltar-se também para as selecções Sub-17, Sub-20 e Olímpica. É ali que estão os rostos do futuro. São esses jovens que, bem acompanhados, podem sustentar uma selecção principal sólida dentro de dois ou quatro anos.

Mas é preciso criar um plano, seguir cada passo do seu crescimento e integrá-los num projecto sério de continuidade. Existem talentos angolanos espalhados pelo mundo, a competir em clubes de alto nível, muitos dos quais ainda não se sentiram parte do projecto nacional.

Não basta convocá-los: é preciso criar pontes, mostrar que há espaço para eles, que existe um plano claro onde possam enquadrarse. Se quisermos disputar um Mundial no futuro, temos de começar agora a formar as nossas estrelas.

A formação precisa de investimento e de uma direcção sem curvas nem contra-curvas. Essa responsabilidade é de todos — não apenas da FAF, mas também dos clubes, dos técnicos, dos próprios jogadores e, sim, dos adeptos que continuam a acreditar. Por isso, acredito que o Mundial não seja o fim. Pelo contrário, é um caminho que Angola ainda pode trilhar — com passos firmes e olhos postos no futuro.

Por: Luís Caetano

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