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José Cunha: “Para um médico ser gestor de um hospital deve ter uma formação específica”

Sebastião Félix por Sebastião Félix
18 de Julho, 2025
Em Entrevista
Fotos de Pedro Nicodemos

Fotos de Pedro Nicodemos

Em entrevista ao jornal OPAÍS, o professor de Administração Hospitalar e médico desde 1982, José Cunha, entre outros assuntos, falou sobre a forma como uma unidade deve ser gerida para não se atropelarem as regras impostas pela medicina enquanto ciência. Numa das passagens, o docente da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto frisou que a Gestão Hospitalar e a Administração Hospitalar cruzam-se, variando apenas o modelo a ser aplicado. No entanto, José Cunha fez saber que, para uma boa gestão hospitalar, é necessário ter em conta a formação do homem, bem como outros factores, como os institucionais e demográficos

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A medicina é um campo vasto. Começo com uma pergunta simples. O que é a gestão hospitalar?

A gestão hospitalar tem que ser vista no âmbito restrito da administração hospitalar. Há pessoas que fazem certa confusão entre administração hospitalar e gestão hospitalar. No fundo, é a mesma coisa. Mas, quando se quer fazer uma diferenciação, importa colocar a administração num nível ligeiramente superior, e a gestão num nível intermédio ou inferior. No entanto, ambas têm as mesmas funções: a planificação. Não “Para um médico ser gestor de um hospital deve ter uma formação específica” há gestão nem administração sem planificação. Depois temos a organização ou coordenação, que trata da harmonização dos recursos existentes — humanos e materiais — e das tarefas ou acções previstas no planeamento. Deste modo, a terceira função da administração é a direcção, onde se encontra o gestor-administrador a motivar os respectivos colaboradores no sentido de cumprirem as tarefas planificadas. Finalmente, temos a função de avaliação ou controlo. Nesta área, faz-se a análise daquilo que foi planificado e, ponto por ponto, verifica-se se as tarefas foram ou não cumpridas.

E a administração hospitalar?

Por isso é que se diz que o hospital é uma organização complexa, pois tem o objectivo de prestar assistência médica, seja ela preventiva, curativa ou de reabilitação, com base num agregado de pessoas. O hospital tem essa diferenciação. Em alguns casos, inclusive, há elementos do hospital que se deslocam ao domicílio do doente para fazer o tratamento e, eventualmente, levá-lo ao hospital e devolvê-lo depois ao seu lar. Há duas funções importantes: uma é a educativa e a outra é a de investigação, principalmente nos grandes hospitais, que habitualmente têm credenciais para formação de médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica. Quanto à função de investigação, os grandes hospitais fazem investigação científica para aprofundar o conhecimento de determinadas doenças. É isso que se pretende com a formação médica. Quando olhamos para o organograma de um hospital, depende se for um hospital com conselho de administração ou com direcção-geral, que são estruturas diferentes. No caso da direcção- geral, é o director-geral quem tutela os outros cargos. Se for o contrário, abaixo do Presidente do Conselho de Administração (PCA) e do director- geral está o director clínico, que é, habitualmente, quem substitui o director-geral na sua ausência. Depois vem o director administrativo, responsável pela gestão da área administrativa do hospital. Pode haver, também, um director para a área de investigação e um director pedagógico, responsável por toda a formação médica e técnica. Em alguns casos, separa-se a direcção clínica da direcção de enfermagem e da direcção de meios de diagnóstico; em outros, não há separação.

Com esta explicação, pode concluir-se que há gestão hospitalar pública e privada?

Não muito em termos de estruturação dos serviços, mas há diferenças. Na área administrativa, os hospitais privados têm práticas que não se encontram nos públicos. Sou de opinião que os hospi- tais públicos deveriam também adoptar uma gestão mais rigorosa, principalmente na componente financeira, como acontece nos hospitais privados. A gestão financeira é, sem dúvida, um elemento fundamental nas unidades privadas. Nas públicas, isso não se vê com tanta ênfase, mas já há países que tratam essa questão com certo rigor. A Inglaterra, por exemplo, tem um Serviço Nacional de Saúde semelhante ao nosso e, mesmo assim, aplica um modelo de gestão apertada.

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Sebastião Félix

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